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sábado, 1 de outubro de 2016

LIVRO: A Explosão Gospel - Um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil


Magali do Nascimento Cunha

SINOPSE

O crescimento da presença dos evangélicos no Brasil, que dá nova forma ao mosaico religioso no País, é um fenômeno recente que tem estimulado estudos nas mais variadas áreas do pensamento. Este livro busca responder a este desafio e é resultado de pesquisas com uma abordagem particular e inédita - o lugar das culturas da mídia e do mercado na formação de uma nova expressão cultural religiosa - a cultura gospel. Para esse estudo, a autora valeuse das ferramentas oferecidas pelos estudos culturais e pelas ciências da religião e analisa o que há de mais atual no cenário evangélico na contemporaneidade - o lugar da música, do consumo e do entretenimento como mediações do sagrado. Para isso, busca na metáfora 'vinho novo em odres velhos' uma resposta à indagação - o que é realmente novo na explosão gospel que mudou o jeito de ser evangélico no Brasil? Esse livro analisa o que há de mais atual no cenário evangélico na contemporaneidade - o lugar da música, do consumo e do entretenimento como mediações do sagrado.

Detalhes

Origem: NACIONAL
Editora: MAUAD
Edição: 1
Ano: 2007
Assunto: Ciências Sociais
Idioma: PORTUGUÊS
 País de Produção: BRASIL
Código de Barras: 9788574782287
ISBN: 8574782289
Encadernação: BROCHURA
Altura: 14,00 cm
Largura: 21,00 cm
Complemento: NENHUM
Nº de Páginas: 232

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Elucidações contemporâneas nos estudos brasileiros em mídia e religião: a perspectiva das mediações culturais e comunicacionais

Magali Nascimento Cunha
RESUMO

Estudo em torno dos fenômenos contemporâneos que têm marcado a interface mídia e religião no Brasil, em busca de elucidações que indiquem novos caminhos de pesquisa nesse âmbito. Para isso são tomados por base os estudos culturais, particularmente os latino-americanos, com a contribuição de Jesús Martin-Barbero e sua teoria das mediações culturais e comunicacionais. A metodologia consiste em uma revisão de pesquisas já empreendidas pela autora deste trabalho à luz das teorias da midiatização social, sob a perspectiva barberiana das mediações. Inclui ainda a identificação de temáticas emergentes, a partir de permanente acompanhamento da programação de mídias religiosas e dos temas religiosos nas grandes mídias. É traçado um quadro das transformações e dos desafios nos estudos em mídia, religião e cultura no Brasil dos anos 2010, por meio da correlação para uma abordagem em torno das mediações do religioso na comunicação midiática e das mediações comunicacionais da religião.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

VÍDEO: Magali do Nascimento Cunha fala sobre Mídia e Religião

Em  participação no programa Papo na Rede do gupo Koinomia a professora Magali do Nascimento Cunha fala sobre mídia, religião e sociedade. Confira no vídeo à esquerda.

terça-feira, 15 de março de 2016

A interseção mídia religiosa e mercado e a ressignificação de signos bíblicos pelos evangélicos



Magali do Nascimento Cunha

RESUMO

Um fenômeno que tem marcado as práticas das igrejas evangélicas no Brasil na contemporaneidade é a aplicação, em contextos diversos, de signos do Antigo Testamento bíblico tais como (a) a menção de imagens em canções, como as de Sião, trono, Senhor dos Exércitos, Santo dos Santos, entre outros; (b) a nomeação de "levitas" como as pessoas encarregadas da liderança musical nas igrejas; (c) o uso de instrumentos de som judaicos ("shofar") ou a decoração de altares com a estrela de Davi e candelabros; (d) o destaque ao Rei Davi como modelo a ser seguido; até a prática de estabelecimentos de "votos" (promessas) que implicam assumir comportamentos atribuídos a personagens do Antigo Testamento, como os "gaditas". Este é um fenômeno em ascensão e um olhar atento sobre ele aponta para um atrelamento deste desenvolvimento à estreita relação entre mídia religiosa e ideologia do mercado.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Chaves teórico-interpretativas do processo de aproximação das Organizações Globo com o segmento evangélico no Brasil: audiência, mercado, política e poder


Magali do Nascimento Cunha

RESUMO

As ações de aproximação das Organizações Globo (OG) com o segmento evangélico no Brasil, de forma mais ostensiva a partir de 2009, têm chamado a atenção de observadores das mídias e promovido a criação de novas configurações na relação mídia-religião-política. Além de conquistar boa fatia do mercado da música evangélica, foi cedido mais espaço ao segmento evangélico em vários programas da Rede Globo de TV e realizada a Feira Internacional Cristã, em 2013. Partindo da assertiva de que as OG, uma prestigiosa empresa de mídia, alteraram sua forma de representar e de interagir com o segmento evangélico, este artigo tem por objetivo compreender por que e como as OG alteraram sua forma de se relacionar com os evangélicos. Para isso, foi estabelecido um estudo interdisciplinar de caráter exploratório-descritivo, com bases teóricas assentadas nos Estudos Culturais, particularmente nas reflexões de Douglas Kellner, em diálogo com a Sociologia da Religião, a partir do seguinte problema: quais podem ser as chaves teórico-interpretativas do fenômeno da aproximação das OG com o segmento evangélico no Brasil?

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domingo, 9 de agosto de 2015

"Casos de família": um olhar sobre o contexto da disputa "Igreja Universal do Reino de Deus x Igreja Mundial do Poder de Deus" nas mídias


Magali do Nascimento Cunha

RESUMO

A propósito das disputas entre a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus no primeiro semestre de 2012, o artigo estuda a dimensão do espetáculo e do mercado cultural religioso nas mídias. Por meio de uma pesquisa exploratória dos principais escândalos e embates envolvendo igrejas e líderes religiosos nas mídias nas últimas décadas, o estudo busca (1) localizar o fenômeno da espetacularização da fé como uma estratégia de marketing, como resposta à concorrência, que inclui a visibilidade também por meio de conflitos; (2) indicar caminhos que instigam a novas investigações.

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quem tem moral entre os evangélicos?

Texto da professora Magali do Nascimento Cunha sobre a edição de 23 abril de 2015 do programa televisivo "Na Moral" que contou com a presença do pastor Silas Malafaia. O artigo foi publicado originalmente no Observatório da Imprensa em 28/04/2015.
Com edição especial para celebrar os 50 anos da Rede Globo, o programa Na Moral de 23 de abril de 2015 discutiu “Quais os limites da moral na TV e como esses limites evoluíram ao longo dos anos?”, com ênfase em dois temas: a sexualidade humana e o fascínio pelos vilões. Participaram do bloco sobre sexualidade o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, o humorista e apresentador Jô Soares, a desembargadora Maria Berenice Dias e o autor de telenovelas Silvio de Abreu. O segundo bloco, que tratou da representação dos vilões nas novelas, durou cerca de 15 minutos e trouxe outros dois debatedores (um psicanalista e uma juíza) em substituição a Maria Berenice Dias e Silas Malafaia.
O conteúdo do programa não trouxe novidades (veja no YouTube o programa na íntegra). É possível reafirmar o parágrafo que abriu as minhas “Notas sobre o Programa Na Moral”, de 2013, que apresentou o tema do Estado Laico para debate:
“Quem espera densidade em qualquer das tantas ‘mesas-redondas’ de qualquer programa de entretenimento na TV aberta, seja de momentos liderados por Ratinho ou Fernanda Lima; por Luciana Gimenez ou Ana Maria Braga; por Ronie Von ou Fátima Bernardes; por Cátia Fonseca ou Pedro Bial, certamente ficará frustrado. Não poderia ser diferente com a edição do programa da Rede Globo Na Moral” (leia aqui notas sobre a edição do programa de agosto de 2013).
Dessa forma, nos quase 35 minutos do bloco que tratou o tema da “moral na TV”, houve a exploração de falas curtas e superficiais sobre a exibição de corpos nus, de cenas de sexo e de beijos gays na dramaturgia televisiva. Jô Soares, Maria Berenice Dias e Silvio de Abreu cumpriram o seu papel de oposição a todo e qualquer controle dos conteúdos da dramaturgia e defesa do serviço social educativo que a dramaturgia presta. O pastor Silas Malafaia foi fiel ao personagem que encarna nas mídias, de defensor da verdade dos evangélicos, ainda que tivesse que enfrentar três opositores no debate, e mais o apresentador que representou o papel de “advogado do diabo”, quando o pastor se colocava. O religioso não disse nada além do que já sabemos de suas posições, com a forma contundente e autoritária que lhe caracteriza: manifestou-se contrariamente à “ditadura gay” nas novelas, à adoção de crianças por casais gays e à aceitação da homossexualidade por cristãos. No mais, Silas Malafaia aliviou as críticas à TV, defendendo que cenas de nudez, de sexo e de homossexualidade deveriam ir ao ar em horários avançados na noite, para evitar que crianças assistam.
Clima bélico
O pastor Malafaia insistiu que suas posições não eram somente teológicas ou religiosas, mas buscou respaldo citando um “filósofo de Harvard” e um “pesquisador doutor em sociologia da Universidade do Texas”. Justificou citar estudiosos “da América” porque “na América pesquisa é coisa séria” e “na América não tem o negócio de botar um estudo e a imprensa bater palma”. Ao lançar mão de alusões e citações, o religioso traz à sua fala marcas típicas de discursos autoritários de quem demanda credenciamento da fala e nega a divergência. Tudo isto para denunciar o “paradigma humanista-ateu” que ele entende reger a sociedade e “jogar fora séculos de valores cristãos-ocidentais”. Com este pensamento, o pastor Malafaia alinhou homossexualidade e prostituição, ao responder à provocação de Silvio de Abreu sobre a existência de pastores homossexuais e se colocou como o “papa dos evangélicos”. O pastor assembleiano disse que assim como na Igreja Católica Romana não há “igreja de prostitutas” porque o papa não permite, ele, como presidente do Conselho de Pastores do Brasil, que tem autoridade para excluir pastores que se apresentem como homossexuais.
O debate foi reforçado pela participação de uma família do bairro de São Cristovão, na cidade do Rio de Janeiro, apresentada como um modelo familiar típico, de dentro do estúdio-casa do Big Brother Brasil (BBB). Só a participação desta família daria um artigo exclusivo, já que aparecia como representação do reforço do modelo de “família tradicional”, tal como defendida pela bancada evangélica na Câmara dos Deputados. Assim como no BBB, havia nitidamente uma pré-definição de perfis de participação das pessoas que mais se manifestavam: a senhora idosa liberal, que não se importa e assiste com gosto às cenas “imorais” na TV, e por isso foi tratada com humor; a senhora tradicional, contrária à exibição de “cenas imorais”, especialmente de homossexualidade que contrariam “o que está escrito na Bíblia”, que foi tratada com seriedade; e a jovem mulher que assiste à programação mas defende a família das más influências dela, bastante destacada. Eram enfatizadas várias cenas de reação corporal dramatizada da senhora tradicional em reação negativa à fala dos liberais do debate e de expressões de apoio da jovem mulher que defende a família em aceitação às falas do pastor Silas Malafaia.
Frustrado com a ausência do “inimigo”, deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) [inicialmente escalado para o debate mas teve participação inviabilizada por conta de viagem de representação à Alemanha] o pastor Silas Malafaia manteve aceso um clima bélico em torno de sua participação no programa. Ele divulgou, dias antes do Na Moral ir ao ar, um vídeo com críticas. Para ele, o debate não havia sido “democrático” porque a produção teria selecionado três pessoas com posições semelhantes para lhe fazerem oposição. Com seu linguajar típico, o pastor Malafaia disse no vídeo que “o pau comeu” durante as duas horas de gravação do programa, com momentos em que teve que questionar a postura de Pedro Bial: “O coro comeu. O apresentador, alguma hora, chegou até a perder o equilíbrio, ficou muito nervoso, porque eu questionei a parcialidade dele. Certo? Mesmo ele sendo um cara fenomenal, inteligentíssimo em televisão – eu não estou aqui para falar mal do Bial –, mas não foi um debate democrático.”
“Minoria que fala a verdade”
Com o discurso da vitimização (“quatro contra um”), Silas Malafaia declarou no vídeo que durante as negociações para sua participação no programa, chegou a sugerir à emissora que convidasse o senador Magno Malta (PR-ES) para participar ao lado dele e, assim, equilibrar o número de pessoas em posições opostas. No entanto, durante a exibição do programa, acompanhando a repercussão de sua participação, o pastor Malafaia voltou atrás em sua crítica à emissora e publicou no Twitter:
SilasMalafaia_1
Em novo vídeo, publicado em 24 de abril, o pastor Silas Malafaia ressaltou a preocupação que tinha quanto ao resultado da edição, mas deu parabéns à emissora e disse: “Não fizeram molecagem comigo.” Ele avaliou: “Tenho que ser honesto: duas horas de gravação para 34 minutos – foi o tempo da minha participação – e você falar dentro de uma emissora onde ela será questionada, isso não é brincadeira, não. E os princípios que eu falei, os meus princípios, eles não cortaram nenhum. Quero ser bem honesto aqui. foram imparciais, e colocaram as minhas principais falas. Verdade é a verdade.” O religioso lamentou: “Pena que muito quebra-pau não saiu, muita coisa que ferveu…”
Silas Malafaia ainda comentou a ausência de Jean Wyllys: “O camarada estava com uma viagem parlamentar para representar o Congresso na Europa. Não vai faltar a oportunidade. Eu sei que eu vou ter o confronto com ele. Eu não acredito que ele tenha medo de mim. Isso é bobagem. Vai chegar a vez”, disse ele.
A criação de um clima bélico anterior ao programa e de vitimização de “minoria que fala a verdade”, garantiu publicidade à segunda participação do pastor Silas Malafaia no programa.
O Na Moral foi ar já na madrugada de 24 de abril, com sete pontos de audiência, dois a mais para a média do horário na emissora, com picos de 10 pontos no Rio de Janeiro. Isto foi celebrado pelo pastor que publicou no seu perfil no Twitter em 25 e 26 de abril:
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Retórica enganosa que a mídia insiste em repercutir e reafirmar
O pastor Silas Malafaia tem mesmo que parabenizar a Rede Globo. Chama a atenção o destaque dado ao pastor na edição do Na Moral. Um simples levantamento do tempo dedicado a cada debatedor, nos quase 35 minutos de bloco, mostrou: (a) desembargadora Maria Berenice Dias: cerca de 2:20 minutos de fala; (b) humorista e apresentador Jô Soares: cerca de 2:35 minutos de exposição; (c) autor de novelas Silvio de Abreu: cerca de 3 minutos de fala; (d) pastor Silas Malafaia: cerca de 8:15 de discurso. São do pastor, ainda, as falas mais longas: cerca de 1:20 minutos e 2:13 minutos nos dois momentos mais extensos entre os 10 em que ele interviu no debate. Os demais participantes intervieram seis vezes (Silvio de Abreu e Maria Berenice Dias) e quatro vezes (Jô Soares). A fala mais longa depois das de Silas Malafaia foi de Silvio de Abreu, em um momento de cerca de um minuto. Maria Berenice Dias não falou mais de 25 segundos em suas intervenções e Jô Soares falou mais quando interveio por 1:06 minuto.
Só neste levantamento quantitativo vemos o poder de palavra dado pela Rede Globo a Silas Malafaia. Além de ter falado quase três vezes mais de quem mais falou, o pastor teve a palavra final do bloco de debates com direito a aplausos da plateia presente ao estúdio. Não só teve a última palavra como obteve aprovação simbólica do público.
Neste sentido, o programa Na Moral cumpre o protocolo já estabelecido pela Rede Globo no que diz respeito à religião e particularmente aos evangélicos: Silas Malafaia é a voz deste grupo religioso e ponto final. Esta parceria da Globo com evangélicos, que tem em vista audiência e participação do mercado de bens religiosos, revela a opção por uma identidade evangélica tradicional e conservadora teológica, ideológica e politicamente. A edição do programa Na Moralilustra bem esta dinâmica. Ao mesmo tempo em que dá espaço para três debatedores de postura liberal, não-religiosos, quanto à exposição midiática da sexualidade humana, o religioso que fala, com destaque, dá voz ao segmento evangélico conservador.
Se o programa deu ênfase às transformações na moralidade sexual da sociedade que a TV acompanhou, também abriu amplo caminho para a afirmação reacionária a essas mudanças, classificadas por Silas Malafaia como “paradigma humanista-ateu”. A presença de uma “família tradicional” no programa e a última palavra do pastor, aprovada com aplausos, deram o tom do recado que a emissora quer transmitir ao público.
Não é à toa que grupos conservadores e de ultradireita política veem-se fortalecidos por tais mensagens, como esta postagem no Twitter, em 26 de abril:
SilasMalafaia_4
Como sempre buscou fazer ao longo de sua história de 50 anos no Brasil, a Rede Globo busca ditar tendências e, neste caso, ela determina quem é que tem moral entre os evangélicos, tornando invisíveis aqueles não “rezam nessa cartilha”. Retórica enganosa que as demais mídias insistem em repercutir e reafirmar. Nestes tempos de religião nas mídias, a palavra de Jesus de Nazaré ecoa cada vez mais forte: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça…”
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Magali do Nascimento Cunha é docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo e editora do blog Mídia, Religião e Política

segunda-feira, 9 de março de 2015

“A Serviço do Rei”. Uma Análise dos Discursos Cristãos Midiatizados


Magali do Nascimento Cunha

RESUMO
As ênfases predominantes nos discursos religiosos midiatizados, resultado da crescente presença dos mais distintos grupos cristãos na mídia latino-americana na contemporaneidade, estão centradas na Teologia da Prosperidade e a Guerra Espiritual. A análise desses discursos indica a adoção de uma linguagem própria da lógica e da cultura do mercado, ou seja: no momento em que a lógica do capitalismo globalizado prevalece como ordenadora da sociedade contemporânea, a mídia religiosa cristã revela-se sua extensão; em outras palavras, como expressão cultural desse capitalismo em versão religiosa. Isto não ocorre somente por meio dos discursos veiculados pela mídia, mas também por meio das práticas de consumo e de entretenimento religiosos. A contradição reside no fato de, juntamente com essas mudanças, conviver a conservação de aspectos tradicionais do Cristianismo no continente. Não se observa alteração substancial do “dominante”; o que se expressa como “modernidade cristã” parece ser nada mais do que “o mesmo” com tecnologia, consumo e diversão. Aquilo que se apresenta como novo na realidade das igrejas é, de fato, uma expressão do mercado.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Vinho novo em odres velhos. Um olhar comunicacional sobre a explosão gospel no cenário religioso evangélico no Brasil



Magali do Nascimento Cunha
RESUMO
Uma análise comunicacional da explosão gospel e sua expressão entre os diferentes segmentos do cenário religioso evangélico contemporâneo no Brasil é o objeto deste trabalho. Inicialmente um movimento musical, o gospel explodiu na última década do século XX entre os evangélicos e deu forma a um modo de vida configurado pela tríade música-consumo e entretenimento. Esse modo de vida se expressa, especialmente, em novas formas de culto religioso e na relativização da ética protestante restritiva de costumes. A referida tríade é caracterizada pelas transformações advindas do reprocessamento das culturas das mídias, urbana e de mercado entre os evangélicos e da busca de superação da crise entre protestantismo e sociedade que tem marcado a história deste segmento no Brasil. Entretanto, a análise embasada nos estudos culturais e nas ciências da religião revelou que esses traços de modernidade da cultura gospel estão entrecruzados com a tradição, com a conservação de traços da identidade protestante no Brasil como o dualismo igreja vs. mundo, o individualismo, o intimismo religioso, o sectarismo, a rejeição da diversidade de manifestações culturais e religiosas, o antiecumenismo e o antiintelectualismo. O estudo sobre este encontro do antigo com o novo, do tradicional com o moderno remete à compreensão da cultura gospel como uma cultura híbrida. Uma estratégia de adaptação à modernidade e suas expressões hegemônicas - seja o pentecostalismo, no campo religioso, ou o capitalismo globalizado no campo sócio-histórico -com a garantia de preservação da expressão cultural religiosa tradicionalista, já conhecida e aprovada no "coração das igrejas". O hibridismo é aqui compreendido como criação estéril, uma modernidade de superfície passível de tensões: o "vinho novo em odres velhos".


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