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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Escola Latino Americana de Comunicação e Igreja Católica: aproximações e contribuições para as ideais comunicacionais latino - americanas


Ricardo Costa Alvarenga

RESUMO

Neste texto fazemos uma revisão dos documentos das Conferências do Episcopado Latino-Americano,  que  aconteceram  no  Rio  de  Janeiro  (1955),  Medellín  (1968),  Puebla  (1979),Santo  Domingo  (1992)  e  Aparecida  (2007),  como  o  objetivo  de  estabelecer uma  relação entre  o  pensamento  comunicacional latino-americano  e  o  pensamento  católico  sobre  a comunicação.    Destacamos    no    texto    as    possíveis    contribuições    do    cristianismo,particularmente da  Igreja Católica, para as ideais comunicacionais latino-americanas. Com base na revisão de literatura, conclui-se que o catolicismo deve papel preponderante para o entendimento da comunicação no continente.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

La foi et le langage: paradigmes de sens pour les médias


Stefan Bratosin

RESUMO

Cette communication tâchera de montrer dans la perspective d'une épistémologie sociale que les paradigmes de sens irréductibles pour toute type de médiatisation sont la foi et le langage. Elle produira une argumentation en faveur de l'hypothèse que ce qui est fondamentalement spécifique pour les différents approches médiatiques de la réalité ne réside pas dans la production de sens, mais dans la direction que chaque type de médiatisation se donne pour orienter la vie de l'individu, de la société et d’une manière générale du monde. Enfin, la communication apportera une lecture de la liberté de conscience dans ce contexte où l'être humain - un existant donné - doit s' "in-former" sous la pression de l'être social - un existant historique construit collectivement.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

LIVRO: Mídia, religião e sociedade - Das palavras às redes digitais




Luís Mauro Sá Martino

SINOPSE

Na sociedade contemporânea, as relações entre mídia e religião ganham novas e inesperadas dimensões. Facilitadas pelos ambientes digitais, essas ligações alteram a lógica da mídia e as práticas da religião, atingindo áreas como a política, a cultura, a economia e outros aspectos da vida cotidiana. De jornais e revistas a aplicativos para smartphones, passando por filmes e programas de televisão, denominações religiosas estão em vários espaços no ambiente das mídias. A ligação com as mídias aumentou a visibilidade pública das religiões, colocando indivíduos, comunidades e sociedades diante da necessidade de conviver com a diferença, com visões de mundo opostas - com o desafio de viver juntos. Dirigido a pesquisadores e estudantes das áreas de Comunicação e Ciências Sociais, Mídia, religião e sociedade oferece um panorama dessas relações. A partir de estudos de casos e situações do cotidiano, mostra também algumas das principais teorias, conceitos.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A manifestação da fé em Cachoeira Paulista: o espaço sagrado da comunidade Canção Nova 1978 - 2011


Jefferson Rodrigues de Oliveira

RESUMO

A geografia da religião no Brasil pós 1990, vem apresentando temas que auxiliam os geógrafos no entendimento do espaço. Para o geógrafo da religião, os estudos têm por análise a dimensão espacial da fé, no tempo e no espaço, trata-se da análise de duas categorias: o sagrado e o profano. Esta pesquisa visa como objetivo, o estudo da comunidade católica, a Canção Nova, inserida em um movimento renovador na Igreja Católica Apostólica Romana denominada Renovação Carismática Católica (RCC) em seu espaço e no tempo de fé. Torna-se necessário desenvolver a importância do sagrado no Vale do Paraíba Paulista em seus sucessivos (re) arranjos espaciais na hierópolis de Cachoeira Paulista. A interpretação dessas organizações espaciais ocorreu ao analisar os possíveis agentes modeladores no espaço: peregrinos, turistas, visitantes, comerciantes e moradores. O Espaço Sagrado e seus respectivos espaços vinculados representaram a contribuição geográfica dessa dissertação e facilitou a compreensão do homem com o divino e sua relação na dimensão econômica, a dimensão política e a dimensão do lugar.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Habitus e pensamento comunicacional protestante no processo de midiatização



Ricardo Zimmermann Fiegenbaum

RESUMO

Ao analisar, neste artigo, alguns dos documentos oficiais sobre comunicação produzidos no âmbito das igrejas brasileiras Metodista e Evangélica de Confissão Luterana, busca-se observar como o habitus midiático comparece no pensamento comunicacional dessas igrejas, operando sobre os modos como intentam difundir valores, obter visibilidade e estabelecer vínculos. Observa-se que as igrejas reconhecem no midiático um lugar estratégico para realização de seus objetivos, mas procuram subordiná-lo ao habitus religioso. Nesse processo de acomodações, negociações e resistências, que se dá em operações auto e heterorreferentes e que envolve instituições não-midiáticas, midiáticas e atores individuais, as igrejas acabam implicadas na midiatização mais ampla de toda a sociedade.

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sábado, 1 de outubro de 2016

LIVRO: A Explosão Gospel - Um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil


Magali do Nascimento Cunha

SINOPSE

O crescimento da presença dos evangélicos no Brasil, que dá nova forma ao mosaico religioso no País, é um fenômeno recente que tem estimulado estudos nas mais variadas áreas do pensamento. Este livro busca responder a este desafio e é resultado de pesquisas com uma abordagem particular e inédita - o lugar das culturas da mídia e do mercado na formação de uma nova expressão cultural religiosa - a cultura gospel. Para esse estudo, a autora valeuse das ferramentas oferecidas pelos estudos culturais e pelas ciências da religião e analisa o que há de mais atual no cenário evangélico na contemporaneidade - o lugar da música, do consumo e do entretenimento como mediações do sagrado. Para isso, busca na metáfora 'vinho novo em odres velhos' uma resposta à indagação - o que é realmente novo na explosão gospel que mudou o jeito de ser evangélico no Brasil? Esse livro analisa o que há de mais atual no cenário evangélico na contemporaneidade - o lugar da música, do consumo e do entretenimento como mediações do sagrado.

Detalhes

Origem: NACIONAL
Editora: MAUAD
Edição: 1
Ano: 2007
Assunto: Ciências Sociais
Idioma: PORTUGUÊS
 País de Produção: BRASIL
Código de Barras: 9788574782287
ISBN: 8574782289
Encadernação: BROCHURA
Altura: 14,00 cm
Largura: 21,00 cm
Complemento: NENHUM
Nº de Páginas: 232

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Media and Religion in Brazil: The rise of TV Record and UCKG and their attempts at globalization


Raul Reis

RESUMO

The Universal Church of the Kingdom of God (UCKG), a neo-Pentecostal religious group originally from Brazil, has attracted a great deal of attention since it was founded by Pastor Edir Macedo in 1977. Part of that attention is due to the group’s and its leaders’non-traditional religious practices, which include syncretic versions of Christian Pentecostal, shamanistic, and Afro-Brazilian Umbandan rituals. A great deal of scrutiny, however, centers on the fact that since the UCKG purchased TV Record in the early 1990s, the group has become a major player in the very desirable and profi table Brazilian broadcasting market. This paper examines the rise of UCKG as a major media player in Brazil, and also sheds some light into the Church’s attempts at globalizing (or at least expanding) its television and radio holdings to other countries and regions.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Fenômeno do Marketing Religioso: Análise do discurso da Igreja Renascer em Cristo na mídia


Karla Regina Macena Pereira Patriota

RESUMO

Nos últimos vinte anos, assistimos a proliferação de inúmeras formas de produção e uso da mídia na esfera religiosa. A Igreja Renascer em Cristo, alvo deste trabalho, por exemplo, é dona da Rede Gospel e de mais de 17 emissoras de rádio, nelas realiza transmissões ininterruptas 24 horas por dia, via satélite. No amplo espaço que utiliza, (templos e mídia) a Renascer tem desenvolvido um discurso que dialoga com a atual conjuntura sócioeconômica da sociedade brasileira. A igreja estabeleceu em sua teologia, uma lógica de mercado, onde os valores que afloram são oriundos da Teologia da Prosperidade. No universo religioso/midiático da Renascer, encontramos o estímulo ao consumo de bens religiosos que privilegiam o individualismo, a vaidade, o consumo material, o empreendimento financeiro, o sobrenatural e a abundância, negando o sofrimento e qualquer sentimento que cause algum desconforto. Neste trabalho, analisamos seis sermões dos fundadores da Renascer, o Apóstolo Estevam Hernandes e a Bispa Sônia Hernandes (03 sermões de cada), veiculados na mídia. Como aparato teórico utilizamos os postulados da Análise do Discurso Francesa. O conceito de interdiscursividade possibilitou a verificação da presença de outras vozes discursivas que se manifestam no discurso da Igreja Renascer. Percebemos como os discursos da Confissão Positiva, do marketing, da Teologia da Prosperidade, dos manuais de auto-ajuda penetram no discurso da Igreja interferindo no seu sentido. Na mesma direção, o conceito de heterogeneidade discursiva serviu para verificarmos como os sermões são atravessados por outros discursos e por discursos de outros. Estes diferentes discursos, mantém entre si, em algumas circunstâncias, uma relação contratual, como é o caso das referências bíblicas que legitimam a sua construção, mas por outro lado, percebemos as relações de contradição, de confronto ou de dominação com os discursos analisados

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Mediatización de la religión en la periferia urbana en el Perú


Rolando Pérez

RESUMO

Este artigo apresenta leituras e reflexões sobre o papel dos meios de comunicação nos processos e práticas que os grupos religiosos constroem a partir da periferia urbana. Nossa análise enfatiza especialmente as práticas desses grupos, movimentos e congregações, especialmente relacionadas ao conservadorismo evangélico urbano no Peru. A partir deste contexto, refletimos sobre as implicações dos processos de mediatização religiosa gerada em torno das práticas desses grupos que desenvolvem habilidades, de legitimidade e interagem em um contexto em que, historicamente, têm sido relegado para o lugar dos “outros” esforços religiosos. Neste processo, vemos a ressignificação de seu discurso e novas táticas e meios de comunicação para influenciar de seu compromisso religioso em espaços cotidianos de estratégias de pessoas.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Brands of faith: marketing religion in a commercial age


Mara Stein

Apresentação (clique <<<aqui>>> para baixar o livro)

In a society overrun by commercial clutter, religion has become yet another product sold in the consumer marketplace. Faiths of all kinds must compete not only with each other, but with a myriad of more entertaining and more convenient leisure activities. Brands of Faith argues that in order to compete effectively faiths have had to become brands – easily recognizable symbols and spokespeople with whom religious prospects can make immediate connections.

Mara Einstein shows how religious branding has expanded over the past twenty years to create a blended world of commerce and faith where the sacred becomes secular and the secular sacred. In a series of fascinating case studies of faith brands, she explores the signifi cance of branded church courses, such as Alpha and 40 Days of Purpose, the growth of megachurches, and the popularity of televangelists like Joel Osteen and their counterpart television talk-show host Oprah Winfrey, as well as the rise of Kabbalah. She asks what the consequences of this religious marketing will be, and outlines the possible results of religious commercialism – good and bad. Repackaging religion – updating music, creating teen-targeted bibles – is justifi able and necessary. However, when the content becomes obscured, religion may lose its unique selling proposition – the very ability to raise us above the market.

Mara Einstein is Associate Professor of Media Studies at Queens College as well as a professor at the business school at New York University. Prior to teaching, she worked as a marketing executive at NBC and MTV Networks as well as at a number of major advertising agencies.

Sumário

Series editors’ preface viii

Preface ix

1 Introduction 1

2 The changing religious marketplace 16

3 The business of religion 37

4 Branding faith 67

5 The course to God 95

6 The new televangelists 120

7 Kabbalah: marketing designer spirituality 147

8 The politics of faith brands 173

9 Has religious marketing gone too far? 192

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domingo, 21 de agosto de 2016

Decifra-me ou te devoro: os desafios das igrejas na sociedade em midiatização – Entrevista com Pedro Gilberto Gomes

22/08/2016
Por Marco Túlio de Sousa
Doutorando em Comunicação (Unisinos) 

Professor Dr. Pedro Gilberto Gomes da Unisinos.
A segunda entrevista do Mídia, Religião e Sociedade é com o pesquisador Dr. Pedro GilbertoGomes, docente do programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e pró-reitor Acadêmico na mesma universidade. Na entrevista concedida a Marco Túlio de Sousa, administrador deste blog, o professor falou dos conceitos de “igreja eletrônica” e “midiatização” e destacou a importância de pesquisadores e instituições religiosas compreenderem o que significa hoje estar na mídia hoje.


Mídia, Religião e Sociedade (MRS): Em seu livro “Da Igreja Eletrônica à sociedade em midiatização” (GOMES, 2010) o senhor traz o conceito de “igreja eletrônica” para falar em um primeiro momento dos televangelistas americanos e depois propõe pensar esta problemática que envolve mídia e religião por meio do conceito de “midiatização”. Para o senhor o conceito de “igreja eletrônica” é produtivo para pensar apenas aquela dinâmica inicial ou desde sempre ele já mostrou insuficiente para dar conta deste fenômeno? 

Pedro Gilberto Gomes: Veja, nem uma coisa nem outra, no meu entendimento, se a gente olha o que está na raiz dos televangelistas norte americanos nós encontramos um histórico que os liga aos revivals que vem desde a época do faroeste. Basicamente, de tempos em tempos surgia um grande pregador nos EUA que percorria o país de cidade em cidade, com grandes tendas armadas, para fazer aquele reavivamento moral. Posteriormente, esse reavivamento veio a acontecer no radio, com os grandes pregadores, dentre eles o Billy Graham, que era batista, e o Fulton Sheen, do lado católico. Já os televangelistas, aqueles que eu faço uma resenha no livro, levam isto para a TV. E aí é que vem o conceito de “igreja eletrônica”. Eles criam, eles trabalham com uma igreja cuja base é a televisão. Muitos começam na televisão, depois constroem uma catedral, criam universidades, hospitais e quando chegam a criar um canal próprio de televisão quebram. Mas eles não são uma igreja no sentido estrito, como nós conhecemos (com templos e pastores espalhados em vários lugares etc). Muitos até estavam em uma religião tradicional, batista, metodista, por exemplo, tinham uma iluminação e começavam a pregar na televisão. Com o tempo ficavam mais famosos que a própria igreja e se separavam dela, fundando a sua própria, que era a “igreja eletrônica”. Então, nesse conceito a Universal não pode ser considerada uma igreja eletrônica. Por quê? Porque se tu vais de norte a sul do Brasil ou nos países onde ela está, ela tem templos espalhados. O central dela não é, como para os televangelistas norteamericanos, a comunidade como igreja eletrônica. Então, esse conceito explica aquele momento e ajuda a pensar. Quando eu levo para a discussão de ”midiatização” para explicar essa relação mídia e religião é porque eu começo a perceber que nessa realidade de uma sociedade em midiatização, neste novo ambiente que se estabelece, o modo de fazer religião muda.

MRS: E quanto ao envolvimento das instituições religiosas, especificamente da Igreja Católica, como o senhor vê essa relação?

Pedro Gilberto Gomes: Bom, antes de trabalhar nessa questão da midiatização, eu publiquei um artigo que saiu na revista Perspectiva Teológica que se chamava “Decifra-me ou te Devoro”, em que falava da Igreja Católica e que se nós não decifrássemos esse enigma de estar presente nos grandes meios (que naquele contexto era a televisão) seríamos devorados por eles. O título foi uma analogia na qual a mídia é o primeiro anel do livro Senhor dos Anéis, do Tolkien. Se alguém achava que poderia usar o poder do anel para fazer qualquer coisa era engolfado pelo poder dele, já que ele obedecia ao Sauron. E se tu vês no final, o anel só foi destruído por um acidente, senão ele não teria sido destruído. E olha que o Frodo não queria usar o anel. Ele foi lá pra destruir o anel e mesmo assim o anel o pegou. Quer dizer, a mídia é como esse primeiro anel de Tolkien porque se eu não a decifro sou destruído por ela. Tenho que estar na televisão, mas preciso analisar o que significa isso, que tipo de religião se está criando. Por exemplo, o padre Marcelo estruturou sua vida em torno da televisão e acho que ele não a decifrou corretamente, tanto que ele foi engolido por ela. Hoje se olhares a televisão, ele está pouco lá. E muitas vezes quando ele aparece é para falarem que ele está magro etc. Não é mais aquele padre que está na televisão, celebrando a missa cantando e dançando. Agora existem outros.

MRS: e as demais igrejas? Decifraram esse enigma?

Pedro Gilberto Gomes: Não, ainda estão engatinhando. O grande problema é que as igrejas se colocam ainda como se estivessem em uma “sociedade dos meios” (FAUSTO NETO, 2008), achando que os meios não são outra coisa que canais para passar a sua mensagem. Então eu posso entrar e, claro, em vez de falar para um grupinho de 12 pessoas, agora, com a internet, eu falo para milhões de pessoas, eu passo a minha mensagem. Não é assim, existem normas, existem regras, existem dinâmicas próprias das mídias que são diferentes das normas da religião e eu tenho que fazer concessões. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul os capuchinhos venderam um canal de TV para Bandeirantes, que por um tempo continuou a transmitir a missa. O encarregado era o frei Renato Zanola e a primeira coisa que a emissora colocou como condição era que ele usasse o hábito na hora de rezar a missa. Mas eu nunca o vi de hábito. Isso foi uma foi uma concessão que ele teve de fazer ao espetáculo. Essas coisas é que a igreja não está se dando conta. Daí a pergunta que eu faço a partir do Hoover: eu não tenho que perguntar o que a religião faz com os meios, mas que religião está surgindo deles? A mídia em geral cria novas condições de relacionamento entre as pessoas. Então nesse sentido, se muda o modo de ser religioso. Por exemplo, pega o site [da basílica] de Aparecida, o A12. Lá tu podes colocar uma vela para Nossa Senhora e definir até a duração dela. Existe a possibilidade de fazer uma visita guiada ao santuário. E nessa visita guiada tu vês a imagem original de Aparecida com muito mais riqueza, com muito mais facilidade do que se for lá.

MRS: Este é um ponto interessante porque muitas vezes se tem essa percepção, inclusive na academia, de que a experiência religiosa nessa ambiência é sempre de baixa qualidade, inferior se compararmos com aquela vivenciada no templo. Então, parece que a questão não é bem essa...

Pedro Gilberto Gomes: é qualitativamente diferente, é outra coisa. Eu vou te dar o exemplo de uma tese defendida no programa [de pós-graduação em Comunicação da Unisinos] sobre missa televisiva. O Domingos Volney Nandi fez uma pesquisa quantitativa com dados de quem assistia as missas do padre Marcelo Rossi. Depois fez uma pesquisa qualitativa, com grupos focais. Nessa fase ele pegou uma missa do padre Marcelo e nos momentos em que aparecia o povo cantando substituiu pelas imagens da plateia do Faustão. Ninguém percebeu que não era o mesmo público. Aí ele se perguntou: o que está havendo? É um novo modo de ser mostrando também que no caso da televisão existem regras e dos processos televisivos aos quais eu tenho de fazer concessão. E quando eu faço concessão a essas regras, eu mudo o modo de ser religioso, eu mudo o modo de ser igreja, eu mudo o modo de ser em sociedade. Em outro trabalho sobre o site da Canção Nova mesma coisa. Se não se fala em Nossa Senhora, ninguém diferencia este do site do Edir Macedo. Não há diferença.

MRS: então essa nova ambiência acaba, de algum modo, aproximando as instituições do ponto de vista de suas performances?

Pedro Gilberto Gomes: Sim. O conteúdo dentro desses meios se torna secundário, porque o que muda é o modo de relacionar. No site da Canção Nova tem missa, tem participação, pedido de oração, conselho. No caso do Edir Macedo não vai ter a missa, mas o culto, tem a pergunta para ele, pedido de oração, as manifestações etc. A questão não é de conteúdo é o modo de ser, como acostumo a assistir a missa, a fazer a oração diante do site, a conversar via site, a ouvir as respostas de oração, acender velas em ambiente virtual etc.

MRS: Bom, mesmo com essas semelhanças nós percebemos que a igreja católica e as igrejas protestantes tradicionais inicialmente apresentaram mais dificuldades pra poder se inserir e ocupar esses espaços na mídia. Enquanto isso igrejas evangélicas pentecostais despontaram com produções em todas as mídias. A que o senhor atribui isso?

Pedro Gilberto Gomes: a grande maioria das igrejas evangélicas pentecostais já nasceu sob o signo da televisão. Elas apenas entraram na corrente. E assim como entraram na televisão, também fizeram o mesmo nas redes sociais. A história dessas igrejas é uma história recente. Portanto, elas não têm nenhuma preocupação, nenhum compromisso com uma tradição. Não têm o peso da história. As igrejas históricas, tanto a católica quanto a luterana, ortodoxa, etc, todas essas igrejas têm uma tradição. Quando o rádio, a televisão e as redes sociais chegaram, elas já tinham uma história. O que está por trás dessas igrejas ainda é o conteúdo, o importante é o conteúdo. Para elas os meios de comunicação são instrumentos para que se expanda cada vez mais a Palavra, porque a palavra é que é importante, o conteúdo da mensagem é que é importante. As igrejas mais modernas [neopentecostais] já nasceram sob o signo da transitoriedade, percebendo que o importante é o parecer, o espetáculo. Eu voltaria a dizer pra ti o seguinte: toda essa situação está lançando para as igrejas históricas um enigma que deve ser decifrado. Ou elas decifram, ou serão devoradas. Ok?

Textos citados na entrevista



GOMES, P. G.. Da Igreja Eletrônica à sociedade em midiatização. São Paulo: Paulinas, 2010.



NANDI, Domingos Volney. Missa Catódica. O (des) encontro de suas lógicas no processo de midiatização da ritualidade da Celebração Eucarística. 2005. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos. 

Sobre o autor
Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1973), especialista em Teologia pela Pontificia Universidad Católica de Santiago, mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1987) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1991). Atualmente é professor titular da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, comunicação cristã, comunicação, cultura e mídia. Membro do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Sul, membro do Conselho Superior da CIENTEC do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Superior do CETA/SENAI e do CNTL/Ceta/Senai. Membro do Conselho Superior da FAPERGS (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do Rio Grande do Sul. Exerce o cargo de Pró-Reitor Acadêmico da Unisinos e é Diretor da Editora da mesma Universidade. 

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

The Media, Culture, and Religion Perspective: Discovering a theory and methodology for studying media and religion


Robert White

INTRODUÇÃO

The cultural studies analysis of the media has now become a dominant paradigm of communication research, and the “Media, Religion, and Culture” focus is a central paradigm in research on religious media. For example, the biannual international conference on “Media, Religion, and Culture” usually draws from 300 to 600 people from around the world, virtually all carrying on research on media and religion from a cultural studies perspective. The cultural studies approach recognizes the importance of so-called “administrative research” used by broadcasters to measure the reach and effectiveness of programming, but argues that quantitative effects research really does not answer the central questions of religious media.

Religion is a personal response, seeking meaning in life and in one’s universe. Religious expression is generally found within institutional religion, but the formal creed, rituals, devotions, and moral codes do not exhaust the personal experience of religion. The central question of the cultural studies approach is concerned with how individuals in groups use media to construct religious meaning in life and how this religious meaning relates to many other aspects of human life. This approach typically draws its theories and methodologies, not from psychology, functionalist sociology, or quantitative analysis, but from cultural anthropology, philosophy, literary studies, drama, and history. The methods of research are no less rigorous, but these are much closer to a tradition of humanities than to behavioral sciences

Until the 1970s virtually all research on media and religion was attempting to answer the questions of religious broadcasters as to what effects they were having. Most religious programs claimed to be having large audiences—impressed with what one can do with the media compared to the Sunday sermon—and they generally claimed to be “converting ” many people. Others were skeptical, and the research was brought in to settle this kind of dispute. Gradually, however, researchers moved away from these “effects” questions to how people are creating meaning from media . . . and many other sources. How and why did this move to a new set of questions in research on religious media come about? The present essay will explore this question.

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Media and Transformations of Religion



Knut Lundby

RESUMO

There are three flag-terms that stand out, states Birgit Meyer in the opening chap-ter of this book, that, in her view, are ‘central to the reconfiguration of the study of religion in general, and the trans-disciplinary conversation’: transformation, materiality, mediation. I agree on the centrality of these three concepts to understand religion across media. However, I will confront this triangle of key terms with the concept of mediatization as developed and developing in media and communication studies. Meyer has asked, in Chapter 1, from her viewpoint in anthropology and religious studies, ‘whether “mediatization” can at all be fruitfully extended into a broader, historical and global theory of the transformation of religion through “media”’ (p. 15). The distinction between ‘embedded’ and ‘disembedded’ media introduced in the Introduction (pp. xiv–xv) is crucial to understand transformationsof religion across media, I argue.

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terça-feira, 21 de junho de 2016

"Viver a religião hoje é um fato público que passa pela mediação da mídia" - Entrevista com Antônio Fausto Neto (parte 1)

22/06/16 
Por Marco Túlio de Sousa 
Doutorando em Comunicação (Unisinos) 

Professor Dr. Antônio Fausto Neto na Unisinos.
Hoje o “Mídia, Religião e Sociedade” inaugura uma nova fase com a seção Entrevistas, que conta com material exclusivo, obtido a partir do contato com pesquisadores da área. Nessa primeira edição conversamos com o professor Dr. Antônio Fausto Neto, docente do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). A entrevista transcorreu em duas oportunidades, quando nos reunimos e debatemos a respeito das pesquisas realizadas pelo professor sobre as complexas relações que envolvem os campos religioso e midiático. A extensão do material nos levou a dividir o texto em duas partes. 

Neste primeiro momento, Fausto fala sobre como a adaptação às lógicas midiáticas faz com que produções católicas e evangélicas se aproximem do ponto de vista de suas performances, levando-o ao conceito de “religião do contato”. Tal discussão passa por questões discursivas que envolvem, inclusive, a materialidade do corpo. O pesquisador também constrói hipóteses sobre as razões que levaram as instituições neopentecostais se destacarem pela sua presença midiática.


Mídia, Religião e Sociedade (MRS): Professor, na sua trajetória acadêmica o senhor estudou diversos temas que envolvem a relação dos media com outros campos sociais e questões (a política, a literatura, a migração, o ofício do jornalismo etc), como a religião surgiu como interesse de pesquisa?

Fausto: Eu não sou um especialista em religião, nem tampouco um especialista em mídia e religião, esse viés vem de uma preocupação minha e do nosso programa (de pós-graduação da Unisinos) definida por uma pergunta: o que vem a ser chamado de campo midiático e que relações ele estabelece com outros campos sociais? Particularmente, que tipo de atividade emanava do campo midiático para o funcionamento de práticas de outros campos? Isso me preocupava bastante. Foi o que me levou a estudar comunicação e política (as campanhas eleitorais), a AIDS, a midiatização da ciência e também essa questão que envolve a mídia e religião, que era algo que já despontava naquele primeiro momento como uma problemática que se situava na “sociedade dos meios”: havia certa centralidade na medida que tanto o campo religioso quanto o campo midiático através de movimentos diferentes implementavam o funcionamento da religião no interior desse território chamado midiático. Isso é um fato importante. A religião sempre esteve presente por meio de colunas, sessões, registros etc, no campo midiático, mas há um momento, que é muito significativo, em que o tema da religião capilariza-se na sociedade por meio de fenômenos muito particulares como, por exemplo, a complexificação da “igreja eletrônica”, que foi estudada lá atrás pelo Hugo Assmann (ASSMANN, 1986) e outros autores (HARTMANN, 2000), a emergência dos padres cantores e da “onda evangélica” etc. Enfim, tal como estudei a relação do campo midiático com outros campos, também veio o interesse por entender como isso se dá com a religião.


MRS: Então podemos dizer que os estudos em mídia e religião estão integrados a um projeto maior que consiste no entendimento da relação do campo midiático com outros campos sociais...

Fausto: Sobretudo como dimensões e operações referência do campo midiático funcionam como condições de produção para a estruturação de outros campos do ponto de vista de estratégias simbólicas. E vice versa. Ou seja, as igrejas fazem funcionar suas atividades declaradamente a partir de recursos muito fortes que ela toma da mídia.


MRS: De 2003 a 2006 o senhor coordenou o projeto “Processos Midiáticos e Construção de Novas Religiosidades: as dimensões discursivas” que propunha analisar estratégias discursivas de produções televisivas católicas e neopentecostais e também a “produção midiática” de um acontecimento cuja origem é religiosa (o Círio de Nazaré). De que modo cada um deles articula formas de presença da religião na mídia que dizem de uma nova configuração do religioso no cenário atual?

Fausto: Vamos começar pelo primeiro ponto [produções televisivas católicas e neopentecostais]. Evidentemente há um aspecto forte aí que é essa transição da sociedade dos meios para a sociedade em vias de midiatização que faz com que a atividade midiática se complexifique de modo a ser produzida também pelo campo religioso, tanto nos seus processos gerenciais e quanto de estratégias discursivas. Ou seja, o campo religioso constitui as suas redes. Para fazer isso passa por uma série de negociações (políticas, empresariais etc).  Quando as igrejas vão para as mídias elas se modelizam em torno de linguagens, gramáticas e protocolos midiáticos, mas levando consigo suas respectivas pedagogias de contato com a sociedade. Talvez por isso hoje se possa dizer que há pouquíssimas diferenças entre programas das rádios e TVs católicas e evangélicas de segunda geração [pentecostais] porque a medida que a religião passou a ser um fato público ela passa a se organizar do ponto de vista estratégico em sintonia com um mercado discursivo de massa que está a espera de um chamado, um convite, uma adesão que só os dispositivos religiosos podem fazer hoje através desses mecanismos (midiáticos). Isso acontece quando a Igreja Universal vai lá para os grotões do Brasil, quando a Igreja Católica cria pastorais voltadas para jovens via música. Viver a religião hoje é um fato público e a maneira de materializar essa experiência em termos públicos se faz pela mediação tecno-simbólica das mídias. Isso tem um impacto muito grande quando a gente pesquisa o cotidiano da sociedade e vê isso faz parte do mundo das pessoas. Elas veem, escutam e transferem para suas casas a realização de rituais que não mais se restringem ao ambiente do templo, mas que são vivenciados entre famílias, grupos de oração, de discussão, de vizinhos, que ali estendem, como dizia o Max Weber, os braços das velhas igrejas para o mundo da vida. Isso é um fenômeno que não nasceu agora, é um fenômeno que tem um transcurso longo, mas que se agudiza e se complexifica hoje com essa transformação da organização da ambiência social em uma ambiência de midiatização de grande porte. As igrejas souberam ocupar um espaço no contexto midiático, mas para tanto tiveram que se adaptar, se redesenhar e revestir suas práticas e aspectos do seu discurso, da sua postura com aquilo que é próprio do campo midiático.


MRS: Em artigo publicado na revista Em Questão (FAUSTO NETO, 2003), que é um dos resultados dessa pesquisa, o senhor utiliza o termo “religião do contato” para caracterizar uma religiosidade que emergia dos programas televisivos tanto católicos quanto neopentecostais por meio de recomendações ao público de que se tomasse alguma atitude enquanto assistia o programa que implicava tocar em alguma parte do corpo). Essa dimensão do toque pode ser vista como uma forma de compensação da não simultaneidade espacial característica deste tipo de emissão? Por quê?

Fausto: Aí é uma hipótese que eu levanto de que todas as religiões se exercitam discursivamente pela dimensão do corpo. Ainda que em níveis diferentes o corpo é fundamental: o corpo da fé, da súplica, da expiação, do castigo, da adoração, da celebração. Na esfera do templo o corpo é um dispositivo central para que o ritual possa se consumir. A passagem da religião da esfera do templo para a esfera da mídia implica em potencializar ou exarcerbar certas regras da sua discursividade sem as quais tal passagem seria muito problemática e até mesmo descaracterizadora das pretensões destas instituições. Cada uma potencializa o corpo em uma direção. Quando eu digo que emerge aí “uma religião do contato” isso tem a ver com uma dimensão central da obra do Peirce, que é em relação ao índice, a religião não é só um fato representacional, simbólico. Você encontra principalmente no protestantismo de segunda geração (pentecostal) um investimento no corpo que parece mais intencional. O corpo age no sentido de evidenciar a performance dos atores sociais no quadro e no contexto dos rituais. Então, a religião do contato começa a se construir lá no templo, mas é nesta esfera [midiática] da sua visibilidade, da sua demonstração, que isso se toma uma dimensão muito mais desafiadora porque se expõe para a esfera pública, digamos assim, formas através das quais se imagina a celebração do ato religioso hoje. Essas formas passam pelo contato, pelo corpo, pela interpelação... passam por programas de escuta, Fala Que Eu Te Escuto, por exemplo e passam por prédicas e falas  que estão na fronteira do colóquio, da intimidade. Isso significa dizer: certa ritualização que emerge das mídias, dos gêneros midiáticos, da intimidade da televisão, ou seja, da “neotelevisão” (ECO, 1984), vem em auxílio dos desafios que representa hoje midiatizar religião. É a exacerbação dos rituais pela mediação do corpo e um corpo que toma como empréstimo operações dos gêneros midiáticos. Talvez neste modelo de midiatização da religião estejamos próximos a formatos e lógicas adotados por programas como o Big Brother Brasil, guardadas as devidas proporções e suas economias discursivas. Mas essa é só uma hipótese.


MRS: Esse apelo ao corpo e à emoção valorizado pela TV ajuda a explicar o porquê das igrejas Católica e Protestantes tradicionais terem tido maior dificuldade do que as igrejas Pentecostais para se adaptarem ao ambiente televisivo?

Fausto: sim, elas (igreja católica e igrejas protestantes tradicionais) estão ligadas a uma tradição mais racional e abstrata. Têm dois fatos que a gente repete e muitas vezes não reflete. O que representa a realização da missa nos idiomas nacionais [antes era em latim]? O que representa a mudança no rito no qual o sacerdote deixa de celebrar de costas para as pessoas e passa a fazê-lo de frente? Era uma relação com o altar na qual ele fazia duas ou três concessões quando ele se virava para saldar os fiéis. Nesse contexto ele era de fato um intermediário entre a instância do sagrado e a instância do povo, mas cuja relação fundamental de tensão e de vínculo se dava com o altar já que ele ficava de costas para as pessoas. A “virada” tem muitas consequências porque ele se expõe a um contato em que passa a se colocar como um mediador mais compartilhado com a vida da comunidade, mas que leva aquilo que a comunidade o confia à ordem do divino pelas especificidades do seu ministério. Essa “virada” significa o reconhecimento do corpo e da sua dimensão dramaturgizante, que é uma dimensão fundamental para produzir efeitos de sentido no âmbito discursivo-religioso. Aqui, creio que Goffman (2011) pode ajudar a explicar essa dinâmica. É impossível a gente repetir o modelo romano, o modelo europeu de celebrar as nossas crenças, as nossas inquietações na direção do sagrado sem que isso se faça sem uma explicitação dessa energia que o corpo reúne. Uma evidência de que isso parece ser verdade é que os grandes ritos religiosos passam cada vez mais por essa experiência do contato. É por isso que eu digo que o contrato foi substituído pelo contato. Esse contrato religioso no sentido de ir à missa, ao culto, observar certas prescrições do mundo do discurso religioso dá lugar a essa nova prática, a essa nova vinculação que se faz pelo contato que estamos tentando descrever.


MRS: O senhor usou o conceito de “religião do contato” (FAUSTO NETO, 2003) para caracterizar o fenômeno no âmbito televisivo, em que medida ele ajuda a entender a presença das religiões na internet? Ou teríamos que pensar em outras construções teóricas?

Fausto: Eu confesso a você que eu abandonei um pouco o meu processo observacional de um modo mais sistemático e tenho acompanhado isso mais pelos trabalhos de colegas seus (no programa de pós-graduação em Comunicação da Unisinos), mas me chama muito a atenção esse descolamento da esfera da televisão para a internet com a simulação e radicalização dos ofícios religiosos que seguem os enquadres ritualísticos engendrados na internet, a exemplo dos santuários digitais e uma série de protocolos que impulsionam a atividade religiosa. Penso que é uma tendência (esse deslocamento) uma vez que todas as práticas são midiatizadas seria inevitável que o mundo da internet não fosse também tensionado pelas práticas religiosas.*

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Textos citados na entrevista

ASSMANN, Hugo. A Igreja Eletrônica e seu impacto na América Latina. Petrópolis (RJ): Vozes, 1986.

ECO, Umberto. Viagem na Irrealidade Cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

FAUSTO NETO, Antônio. Religião do contato: estratégias dos novos "templos midiáticos". In: Emquestão –Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Porto Alegre, RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Vol. 2, n 1(jan./jun 2003), p. 163-182.

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. 18º ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

HARTMANN, Attilio Ignacio. Religiosidade e mídia eletrônica: a mediação sócio-cultural-religiosa e a produção de sentido na recepção de tv. São Paulo, 2000. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA-USP.


Sobre o autor
Antônio Fausto Neto é pós-doutor em Comunicação pela UFRJ, doutor em Comunicação pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) da França, mestre em Comunicação pela Universidade Nacional de Brasília (UNB) e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente é professor titular do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Interessa-se por temas relacionados a Jornalismo, Discurso, Noticiabilidade, Estratégias Midiáticas e Midiatização, tendo também já estudado objetos que envolvem religião, discurso e mídia, especialmente no âmbito televisivo.

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terça-feira, 7 de junho de 2016

Religion et nouvelles technologies de la communication de masse : l’exemple de l’"Eglise électronique"


Mokhtar BEN BARKA

INTRODUÇÃO

Le phénomène de la télévision religieuse américaine, que l’on appelle couramment « Eglise électronique » ou encore « télévangélisme »1 n’échappe plus à personne. Il se manifeste et s’impose de différentes façons. Il y a d’abord les innombrables émissions à caractère religieux qui envahissent la télévision américaine. En outre, les prédicateurs des ondes (ou télévangélistes) ont beaucoup fait parler d’eux, ces dernières années. Certains, comme Jerry Falwell, James Robinson et Pat Robertson, se sont fait connaître par leurs prises de position politiques. D’autres, notamment Jim Bakker, Oral Roberts et Jimmy Swaggart, ont défrayé la chronique à cause des scandales financiers et sexuels dans lesquels ils étaient impliqués. Enfin et corrélativement à sa montée spectaculaire, l’Eglise électronique est l’objet d’une abondante littérature scientifique et populaire1. L’avènement de l’Eglise électronique constitue, à vrai dire, l’un des faits les plus marquants de la vie spirituelle des Etats-Unis depuis 1945.

Parallèlement à cette forte visibilité sociale, l’Eglise électronique est au coeur de débats qui animent et divisent aussi bien l’opinion publique, les journalistes que les spécialistes des sciences sociales. Les pages qui suivent tentent de donner la mesure de la polémique suscitée par l’Eglise électronique, en répondant aux questions suivantes : qu’est-ce que l’Eglise électronique ? Quels effets les nouvelles technologies de la communication de masse ont-elles sur le message chrétien ? Où en est l’Eglise électronique à l’âge de la « cyber-culture » ?

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

La importancia del tratamiento de la religión en medios de comunicación. El caso del Islam en España


Pilar Sánchez González
Graciela Padilla Castillo

RESUMO

El objetivo de este artículo es analizar la relación entre medios de comunicación y religiones mayoritarias, que se practican en España y, en concreto, el Islam. Como objetivo secundario, se pretende abrir nuevas líneas de investigación y remarcar la importancia del asunto. La información es un servicio de socialización. Por ello, se deben respetar las diferencias políticas, ideológicas, sociales y culturales. En el caso del entorno cultural, la religión es una de las variables a considerar en la práctica de la correcta información, evitando clichés y acciones no respetuosas hacia algunos de sus fieles. Si se quiere ser objetivo, hay que ser respetuoso. Conocer las religiones que se practican en el país supone una mejor adecuación en el tratamiento de la información. Los medios son transmisores de valores y estos, a su vez, socializadores de la audiencia.

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domingo, 29 de maio de 2016

Intersecção dos dispositivos midiáticos e religiosos: a midiatização como lógica do consumo na igreja Universal do Reino de Deus




Alexandre Dresch Bandeira

RESUMO

Esta dissertação expressa a investigação sobre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na perspectiva dos processos midiáticos. Teoricamente, reflete a partir dos conceitos de igreja eletrônica, dispositivos e campos midiáticos. Empiricamente, se desenvolve a partir de procedimentos de observação e pesquisa documental. O método de construção das análises seguiu uma linhagem descritiva, de sucessivas formalizações, utilizando recursos analíticos diversos, inclusive esquemas visuais (mapas, plantas, organogramas e fotografias), até se aproximar de conceitos centrais em torno dos quais procuramos pensar o midiático nesta Igreja. Esta análise procura mostrar todo o processo midiático através da intersecção dos dispositivos midiáticos e religiosos, envolvendo os vários conceitos nos problemas estudados, com a intenção de procurar entender como a IURD trabalha no campo midiático, misturando práticas das lógicas de consumo junto com as de religião.

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terça-feira, 10 de maio de 2016

Marketing in Catholic Media



Terézia Rončáková

INTRODUÇÃO

The question whether Catholic media fulfill their role in the society and the way they use media communication channels to spread religious messages raises another question, which is of no lesser importance – the problem of marketing. For the purpose hereof, by marketing we mean anything directed to increasing the demand for a given product with respect to both the media’s advertisers and the audience.

The situation in Slovakia in the field of marketing in Catholic media is of special importance due to a kind of general feeling that marketing in those media is of poor quality, insufficient, unmanaged, disregarded or neglected. The question of whether this is a prejudice or the reality is yet to be examined herein.

As we examine this question in more detail, we will reflect upon the following seven areas of concern: advertising, self-promotion, marketing department staffing, attitudes of concerned stakeholders, approach to the gathering and evaluation of feedback, subsidies of media obtained from managing entities, and distribution of media product.

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domingo, 1 de maio de 2016

NARRAR A DEUS: A religião como meio de comunicação



Enzo Pace

RESUMO

O que nos dispomos a fazer nas páginas seguintes é, de um lado, tratar a religião como sistema e como poder de comunicação e, de outro, reconstruir as conexões entre universos simbólico-religiosos e ambientes sociais que mudam no tempo e no espaço. Rastrear as linhas de descendência para encontrar quais são as semelhanças irredutíveis entre tradições religiosas distintas, que nasceram e se firmaram diacronicamente em um mesmo ambiente sociocultural ou em ambientes distantes, não esgota a tarefa de uma sociologia comparada das religiões. Por tal fórmula entendemos a busca dos componentes estruturais da relação entre processo de fundação e processo de construção de um sistema de crença religiosa, entre experiência criadora inicial e sistematização sucessiva de um conjunto de crenças e práticas rituais.

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Media and Religious Diversity



Patrick Eisenlohr

RESUMO

This review addresses recentwork onmedia practices in situations of religious diversity. I hereby distinguish three approaches in this literature: the media politics of diversity, religious diversity and the public sphere, and the diversity of religious mediations. Whereas the first focuses on the control of representations of religious diversity and difference, the second strand of research looks at the interaction of religious difference and the public circulation of discourse and images. The third approach takes built-in links between media and religious practices as a starting point to investigate the diversity of modes of interaction between religious practitioners and religious otherworlds and the consequences these modes have for sociocultural life. This article argues that a perspective mindful of the intrinsic relationships of religion and media is best positioned to do justice to the questions provoked by the intersection of media practices and religious difference.

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