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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Media and Religion in Brazil: The rise of TV Record and UCKG and their attempts at globalization


Raul Reis

RESUMO

The Universal Church of the Kingdom of God (UCKG), a neo-Pentecostal religious group originally from Brazil, has attracted a great deal of attention since it was founded by Pastor Edir Macedo in 1977. Part of that attention is due to the group’s and its leaders’non-traditional religious practices, which include syncretic versions of Christian Pentecostal, shamanistic, and Afro-Brazilian Umbandan rituals. A great deal of scrutiny, however, centers on the fact that since the UCKG purchased TV Record in the early 1990s, the group has become a major player in the very desirable and profi table Brazilian broadcasting market. This paper examines the rise of UCKG as a major media player in Brazil, and also sheds some light into the Church’s attempts at globalizing (or at least expanding) its television and radio holdings to other countries and regions.

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terça-feira, 21 de junho de 2016

"Viver a religião hoje é um fato público que passa pela mediação da mídia" - Entrevista com Antônio Fausto Neto (parte 1)

22/06/16 
Por Marco Túlio de Sousa 
Doutorando em Comunicação (Unisinos) 

Professor Dr. Antônio Fausto Neto na Unisinos.
Hoje o “Mídia, Religião e Sociedade” inaugura uma nova fase com a seção Entrevistas, que conta com material exclusivo, obtido a partir do contato com pesquisadores da área. Nessa primeira edição conversamos com o professor Dr. Antônio Fausto Neto, docente do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). A entrevista transcorreu em duas oportunidades, quando nos reunimos e debatemos a respeito das pesquisas realizadas pelo professor sobre as complexas relações que envolvem os campos religioso e midiático. A extensão do material nos levou a dividir o texto em duas partes. 

Neste primeiro momento, Fausto fala sobre como a adaptação às lógicas midiáticas faz com que produções católicas e evangélicas se aproximem do ponto de vista de suas performances, levando-o ao conceito de “religião do contato”. Tal discussão passa por questões discursivas que envolvem, inclusive, a materialidade do corpo. O pesquisador também constrói hipóteses sobre as razões que levaram as instituições neopentecostais se destacarem pela sua presença midiática.


Mídia, Religião e Sociedade (MRS): Professor, na sua trajetória acadêmica o senhor estudou diversos temas que envolvem a relação dos media com outros campos sociais e questões (a política, a literatura, a migração, o ofício do jornalismo etc), como a religião surgiu como interesse de pesquisa?

Fausto: Eu não sou um especialista em religião, nem tampouco um especialista em mídia e religião, esse viés vem de uma preocupação minha e do nosso programa (de pós-graduação da Unisinos) definida por uma pergunta: o que vem a ser chamado de campo midiático e que relações ele estabelece com outros campos sociais? Particularmente, que tipo de atividade emanava do campo midiático para o funcionamento de práticas de outros campos? Isso me preocupava bastante. Foi o que me levou a estudar comunicação e política (as campanhas eleitorais), a AIDS, a midiatização da ciência e também essa questão que envolve a mídia e religião, que era algo que já despontava naquele primeiro momento como uma problemática que se situava na “sociedade dos meios”: havia certa centralidade na medida que tanto o campo religioso quanto o campo midiático através de movimentos diferentes implementavam o funcionamento da religião no interior desse território chamado midiático. Isso é um fato importante. A religião sempre esteve presente por meio de colunas, sessões, registros etc, no campo midiático, mas há um momento, que é muito significativo, em que o tema da religião capilariza-se na sociedade por meio de fenômenos muito particulares como, por exemplo, a complexificação da “igreja eletrônica”, que foi estudada lá atrás pelo Hugo Assmann (ASSMANN, 1986) e outros autores (HARTMANN, 2000), a emergência dos padres cantores e da “onda evangélica” etc. Enfim, tal como estudei a relação do campo midiático com outros campos, também veio o interesse por entender como isso se dá com a religião.


MRS: Então podemos dizer que os estudos em mídia e religião estão integrados a um projeto maior que consiste no entendimento da relação do campo midiático com outros campos sociais...

Fausto: Sobretudo como dimensões e operações referência do campo midiático funcionam como condições de produção para a estruturação de outros campos do ponto de vista de estratégias simbólicas. E vice versa. Ou seja, as igrejas fazem funcionar suas atividades declaradamente a partir de recursos muito fortes que ela toma da mídia.


MRS: De 2003 a 2006 o senhor coordenou o projeto “Processos Midiáticos e Construção de Novas Religiosidades: as dimensões discursivas” que propunha analisar estratégias discursivas de produções televisivas católicas e neopentecostais e também a “produção midiática” de um acontecimento cuja origem é religiosa (o Círio de Nazaré). De que modo cada um deles articula formas de presença da religião na mídia que dizem de uma nova configuração do religioso no cenário atual?

Fausto: Vamos começar pelo primeiro ponto [produções televisivas católicas e neopentecostais]. Evidentemente há um aspecto forte aí que é essa transição da sociedade dos meios para a sociedade em vias de midiatização que faz com que a atividade midiática se complexifique de modo a ser produzida também pelo campo religioso, tanto nos seus processos gerenciais e quanto de estratégias discursivas. Ou seja, o campo religioso constitui as suas redes. Para fazer isso passa por uma série de negociações (políticas, empresariais etc).  Quando as igrejas vão para as mídias elas se modelizam em torno de linguagens, gramáticas e protocolos midiáticos, mas levando consigo suas respectivas pedagogias de contato com a sociedade. Talvez por isso hoje se possa dizer que há pouquíssimas diferenças entre programas das rádios e TVs católicas e evangélicas de segunda geração [pentecostais] porque a medida que a religião passou a ser um fato público ela passa a se organizar do ponto de vista estratégico em sintonia com um mercado discursivo de massa que está a espera de um chamado, um convite, uma adesão que só os dispositivos religiosos podem fazer hoje através desses mecanismos (midiáticos). Isso acontece quando a Igreja Universal vai lá para os grotões do Brasil, quando a Igreja Católica cria pastorais voltadas para jovens via música. Viver a religião hoje é um fato público e a maneira de materializar essa experiência em termos públicos se faz pela mediação tecno-simbólica das mídias. Isso tem um impacto muito grande quando a gente pesquisa o cotidiano da sociedade e vê isso faz parte do mundo das pessoas. Elas veem, escutam e transferem para suas casas a realização de rituais que não mais se restringem ao ambiente do templo, mas que são vivenciados entre famílias, grupos de oração, de discussão, de vizinhos, que ali estendem, como dizia o Max Weber, os braços das velhas igrejas para o mundo da vida. Isso é um fenômeno que não nasceu agora, é um fenômeno que tem um transcurso longo, mas que se agudiza e se complexifica hoje com essa transformação da organização da ambiência social em uma ambiência de midiatização de grande porte. As igrejas souberam ocupar um espaço no contexto midiático, mas para tanto tiveram que se adaptar, se redesenhar e revestir suas práticas e aspectos do seu discurso, da sua postura com aquilo que é próprio do campo midiático.


MRS: Em artigo publicado na revista Em Questão (FAUSTO NETO, 2003), que é um dos resultados dessa pesquisa, o senhor utiliza o termo “religião do contato” para caracterizar uma religiosidade que emergia dos programas televisivos tanto católicos quanto neopentecostais por meio de recomendações ao público de que se tomasse alguma atitude enquanto assistia o programa que implicava tocar em alguma parte do corpo). Essa dimensão do toque pode ser vista como uma forma de compensação da não simultaneidade espacial característica deste tipo de emissão? Por quê?

Fausto: Aí é uma hipótese que eu levanto de que todas as religiões se exercitam discursivamente pela dimensão do corpo. Ainda que em níveis diferentes o corpo é fundamental: o corpo da fé, da súplica, da expiação, do castigo, da adoração, da celebração. Na esfera do templo o corpo é um dispositivo central para que o ritual possa se consumir. A passagem da religião da esfera do templo para a esfera da mídia implica em potencializar ou exarcerbar certas regras da sua discursividade sem as quais tal passagem seria muito problemática e até mesmo descaracterizadora das pretensões destas instituições. Cada uma potencializa o corpo em uma direção. Quando eu digo que emerge aí “uma religião do contato” isso tem a ver com uma dimensão central da obra do Peirce, que é em relação ao índice, a religião não é só um fato representacional, simbólico. Você encontra principalmente no protestantismo de segunda geração (pentecostal) um investimento no corpo que parece mais intencional. O corpo age no sentido de evidenciar a performance dos atores sociais no quadro e no contexto dos rituais. Então, a religião do contato começa a se construir lá no templo, mas é nesta esfera [midiática] da sua visibilidade, da sua demonstração, que isso se toma uma dimensão muito mais desafiadora porque se expõe para a esfera pública, digamos assim, formas através das quais se imagina a celebração do ato religioso hoje. Essas formas passam pelo contato, pelo corpo, pela interpelação... passam por programas de escuta, Fala Que Eu Te Escuto, por exemplo e passam por prédicas e falas  que estão na fronteira do colóquio, da intimidade. Isso significa dizer: certa ritualização que emerge das mídias, dos gêneros midiáticos, da intimidade da televisão, ou seja, da “neotelevisão” (ECO, 1984), vem em auxílio dos desafios que representa hoje midiatizar religião. É a exacerbação dos rituais pela mediação do corpo e um corpo que toma como empréstimo operações dos gêneros midiáticos. Talvez neste modelo de midiatização da religião estejamos próximos a formatos e lógicas adotados por programas como o Big Brother Brasil, guardadas as devidas proporções e suas economias discursivas. Mas essa é só uma hipótese.


MRS: Esse apelo ao corpo e à emoção valorizado pela TV ajuda a explicar o porquê das igrejas Católica e Protestantes tradicionais terem tido maior dificuldade do que as igrejas Pentecostais para se adaptarem ao ambiente televisivo?

Fausto: sim, elas (igreja católica e igrejas protestantes tradicionais) estão ligadas a uma tradição mais racional e abstrata. Têm dois fatos que a gente repete e muitas vezes não reflete. O que representa a realização da missa nos idiomas nacionais [antes era em latim]? O que representa a mudança no rito no qual o sacerdote deixa de celebrar de costas para as pessoas e passa a fazê-lo de frente? Era uma relação com o altar na qual ele fazia duas ou três concessões quando ele se virava para saldar os fiéis. Nesse contexto ele era de fato um intermediário entre a instância do sagrado e a instância do povo, mas cuja relação fundamental de tensão e de vínculo se dava com o altar já que ele ficava de costas para as pessoas. A “virada” tem muitas consequências porque ele se expõe a um contato em que passa a se colocar como um mediador mais compartilhado com a vida da comunidade, mas que leva aquilo que a comunidade o confia à ordem do divino pelas especificidades do seu ministério. Essa “virada” significa o reconhecimento do corpo e da sua dimensão dramaturgizante, que é uma dimensão fundamental para produzir efeitos de sentido no âmbito discursivo-religioso. Aqui, creio que Goffman (2011) pode ajudar a explicar essa dinâmica. É impossível a gente repetir o modelo romano, o modelo europeu de celebrar as nossas crenças, as nossas inquietações na direção do sagrado sem que isso se faça sem uma explicitação dessa energia que o corpo reúne. Uma evidência de que isso parece ser verdade é que os grandes ritos religiosos passam cada vez mais por essa experiência do contato. É por isso que eu digo que o contrato foi substituído pelo contato. Esse contrato religioso no sentido de ir à missa, ao culto, observar certas prescrições do mundo do discurso religioso dá lugar a essa nova prática, a essa nova vinculação que se faz pelo contato que estamos tentando descrever.


MRS: O senhor usou o conceito de “religião do contato” (FAUSTO NETO, 2003) para caracterizar o fenômeno no âmbito televisivo, em que medida ele ajuda a entender a presença das religiões na internet? Ou teríamos que pensar em outras construções teóricas?

Fausto: Eu confesso a você que eu abandonei um pouco o meu processo observacional de um modo mais sistemático e tenho acompanhado isso mais pelos trabalhos de colegas seus (no programa de pós-graduação em Comunicação da Unisinos), mas me chama muito a atenção esse descolamento da esfera da televisão para a internet com a simulação e radicalização dos ofícios religiosos que seguem os enquadres ritualísticos engendrados na internet, a exemplo dos santuários digitais e uma série de protocolos que impulsionam a atividade religiosa. Penso que é uma tendência (esse deslocamento) uma vez que todas as práticas são midiatizadas seria inevitável que o mundo da internet não fosse também tensionado pelas práticas religiosas.*

* Para ler a segunda parte da entrevista clique <<<aqui>>>.

Textos citados na entrevista

ASSMANN, Hugo. A Igreja Eletrônica e seu impacto na América Latina. Petrópolis (RJ): Vozes, 1986.

ECO, Umberto. Viagem na Irrealidade Cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

FAUSTO NETO, Antônio. Religião do contato: estratégias dos novos "templos midiáticos". In: Emquestão –Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Porto Alegre, RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Vol. 2, n 1(jan./jun 2003), p. 163-182.

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. 18º ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

HARTMANN, Attilio Ignacio. Religiosidade e mídia eletrônica: a mediação sócio-cultural-religiosa e a produção de sentido na recepção de tv. São Paulo, 2000. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA-USP.


Sobre o autor
Antônio Fausto Neto é pós-doutor em Comunicação pela UFRJ, doutor em Comunicação pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) da França, mestre em Comunicação pela Universidade Nacional de Brasília (UNB) e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente é professor titular do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Interessa-se por temas relacionados a Jornalismo, Discurso, Noticiabilidade, Estratégias Midiáticas e Midiatização, tendo também já estudado objetos que envolvem religião, discurso e mídia, especialmente no âmbito televisivo.

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domingo, 19 de junho de 2016

AS NARRATIVAS DO REINO: Análise narrativa de programas televisivos da Igreja Universal nas madrugadas mineiras


Marco Túlio de Sousa

RESUMO

Este trabalho trata das narrativas religioso - midiáticas da Igreja Universal do Reino de Deus na Programação IURD mineira, que corresponde a um conjunto de programas televisivos veiculados diariamente pela Record Minas durante as madrugadas. Como recorte, escolhemos algumas edições do mês de julho de 2012, quando a igreja completou 35 anos de existência. Para desenvolver a análise, propomos uma triangulação teórica que contempla os conceitos de dispositivo, narrativa e experiência procurando perceber como estes se afetam mutuamente e se constituem nas suas interconexões. Tendo em vista este aparato conceitual, nosso objetivo consiste em olhar para a Programação IURD procurando identificar nos mundos que suas narrativas deixam ver possíveis pontos de força, de tensão, aspectos que ganham visibilidade, silenciamentos que emergem, bem como o público que se imagina atingir com as mesmas. Dessa forma, também pretendemos analisar o modo como a Universal se narra e por esta mediação narrativa se relaciona com os espectadores e com outros setores da sociedade.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A análise do jornal Folha Universal como instrumento de propagação da ideologia da Igreja Universal do Reino de Deus


Miguel Adilson de Oliveira Júnior

RESUMO

O objetivo desta pesquisa é analisar o jornal Folha Universal – um dos órgãos de comunica- ção da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) – como meio de propagação de ideologia da própria instituição. Esta análise justifica-se pela vontade de se saber qual a verdadeira posição do jornal no que diz respeito a posição do jornal frente aos candidatos da IURD nas eleições da cidade do Rio de Janeiro.

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ética e Telenovela: Os Valores Morais Evangélicos e o Consumo de Telenovelas da Rede Globo


Luiz Peres-Neto, Fabrizzio Chioccola
RESUMO
O crescente avanço da presença de igrejas evangélicas no Brasil em certa medida colabora para que as diferentes doutrinas evangélicas tenham os seus valores morais e éticos difundidos de maneira ampla nos mais diferentes âmbitos da sociedade. Tomando este contexto como um ponto de partida, este artigo propõe uma discussão sobre o consumo de telenovelas da Rede Globo por evangélicos pentecostais e neopentecostais. Como pergunta de investigação, problematizamos os possíveis conflitos morais entre o conteúdo presente nos melodramas da Rede Globo e a ética evangélica. Para tal, foram realizadas entrevistas em profundidade com pastores e fiéis, além de observações participantes. A partir dos estudos de recepção e das teorias das mediações, empregamos a perspectiva dos Estudos Críticos do Discurso para a análise do material empírico coletado.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A Midiatização da Assembléia de Deus: Rumo ao neopentecostalismo?


Eduardo Refkalefsky, Letícia Brandão Soares

TRECHO EM DESTAQUE

“Recentemente, a igreja demonstrou uma grande capacidade de modernização da comunicação ao entrar na internet. Na rede, todas as outras possibilidades se unem e a Assembléia tem à disposição (e sendo utilizados) os recursos mais avançados: cada templo tem sua própria página, televisão on-line, web-radios, blogs, grupos de discussão e a esmagadora participação na megacomunidade de relacionamentos Orkut. Não só a Assembléia de Deus está “na internet”, como também está fazendo uso de todas as ferramentas disponíveis neste universo tão diversificado.”

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Sexto Sentido e a sexta-feira 13: narrativas da Igreja Universal em um programa televisivo da Rede Record em Portugal



Marco Túlio de Sousa; Donizete Rodrigues

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo contribuir para um melhor entendimento sobre a participação da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na mídia em Portugal e como essa denominação brasileira se relaciona com a sociedade portuguesa e com as suas especificidades religiosas. Para a análise foram selecionadas cinco edições do Sixth Sense (programa de tevê da IURD em Portugal), em que há referências à sexta-feira 13, data cheia de misticismo no catolicismo popular. Com base na teoria narrativa de Paul Ricoeur, foi realizada uma análise de conteúdo dos programas, na qual se descortinou a cosmologia dessa igreja neopentecostal: um “mundo” onde forças antagônicas, que representam o Bem e o Mal, lutam entre si para dominar/ salvar as pessoas; a magia e as religiões espiritualistas são os agentes dominadores malignos, enquanto a IURD é o agente do bem, da salvação.


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domingo, 29 de novembro de 2015

LIVRO GRATUITO: Transnacionalização Religiosa: religiões em movimento

A obra "Transnacionalização Religiosa: religiões em movimento" está disponível para download gratuito no site da editora. É só fazer um cadastro. Clique <<<aqui>>> para saber mais.
Organizadores
Donizete Rodrigues
Ari Pedro Oro
Sumário

Introdução

13 COMO A FÉ E A RELIGIÃO ESTABELECEM CONEXÕES TRANSNACIONAIS? O PENTECOSTALISMO E SEUS MODOS DE EXPANSÃO NO MUNDO GLOBALIZADO
Cleonardo Mauricio Junior, Roberta B. C. Campos

21 PENTECOSTALISMO, GLOBALIZAçÃO E CONSUMO: UMA REFLEXÃO TEóRICA SOBRE OS BENS DE MARCAÇÃO RELIGIOSA 
Daniel Alves

43 DINÂMICAS DO PENTECOSTALISMO BRASILEIRO NA EUROPA: O CASO DA IURD EM PORTUGAL, ESPANHA, IRLANDA, ITÁLIA E ALEMANHA
Donizete Rodrigues, Marcos de Araújo Silva

55 PROSPERIDADE E LIBERTAçÃO: SOBRE A CONSTRUçÃO DA IDENTIDADE EVANGÉLICA TRANSNACIONAL NOS RITUAIS ARGENTINOS DA IGREJA UNIVERSAL 
Marcelo Tadvald

79 AS IMBRICAçÕES DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS NA “RECONSTRUçÃO NACIONAL” DE ANGOLA: DA BENEVOLÊNCIA À ALTERIDADE MUçULMANA 
Camila A. M. Sampaio

97 IGREJA EVANGÉLICA ENCONTROS DE FÉ DE PORTO ALEGRE: SENTIDOS E EXPERIÊNCIAS DE PARTICIPAçÃO EM REDES TRANSNACIONAIS 
Mariana Reinisch Picolotto, Ari Pedro Oro

127 A IGREJA COMO PEDACINHO DO BRASIL: RELIGIÃO TRANSNACIONAL NA CAPITAL DO TEXAS 
Rodrigo Otávio Serrão Santana de Jesus, Flávia Ferreira Pires

147 O PROCESSO DE TRANSNACIONALIZAçÃO RELIGIOSA AO SUL DA AMÉRICA DO SUL: RECONSTRUINDO PERCURSOS E NARRATIVAS MÍTICAS
Mauro Meirelles

173 MINHA LÍNGUA, MINHA FÉ, MINHA IGREJA: SER CATóLICO ESTRANGEIRO DE LÍNGUA PORTUGUESA NA HOLANDA
Mísia Lins Reesink

197 MISSIONÁRIOS DO FIM DO MUNDO: MISSIONÁRIOS E MISSÕES CATóLICAS BRASILEIRAS ALÉM-FRONTEIRAS EM TEMPOS DE TRANSNACIONALIZAçÃO RELIGIOSA 
Antônio Mendes da Costa Braga

225 A “CONSTRUçÃO” DA IDENTIDADE AFRO-RELIGIOSA NA FRONTEIRA BRASIL, PERU E COLÔMBIA 
Reginaldo Conceição da Silva

247 A DESCOBERTA DE PUTAMAGAL PELO CABOCLO PENA DOURADA
Joana Bahia

265 TRANSNACIONALIZAçÃO RELIGIOSA E CONVERSÃO: UM DIÁLOGO SOBRE O BUDISMO DA SOKA GAKKAI NO BRASIL
Suzana Ramos Coutinho

291 Índice Remissivo

309 Resenhas Biográficas

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Professor da USP fala sobre intolerância religiosa


A Univesp TV conversou com o professor Vagner Gonçalves da Silva do departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo sobre a intolerância religiosa de membros de religiões neopentecostais com praticantes da Umbanda e do Candomblé. 

Confira a entrevista clicando <<<aqui>>>.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

In 'Cyber Jesus' we trust: breve análise sobre o portal da bola de neve church no ciberespaço


Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão

RESUMO

Apresento aqui algumas das formas de utilização do ciberespaço pela Bola de Neve Church (BDN), agência religiosa criada em São Paulo, Brasil. O ciberespaço é a principal plataforma midiática da BDN, compondo seu marketing religioso, que convenciono 'marketing de guerra santa'. O artigo é estruturado da seguinte forma: primeiramente,faço observações sobre a BDN e seu 'marketing de guerra santa em trânsito'. Em seguida, demonstro algumas das maneiras como tal agência se utiliza da internet para promover-se e consolidar-se no mercado religioso. E por fim, apresento proposta inicial de análise de sites, através da observação do portal da BDN no ciberespaço.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Vinho novo em odres velhos. Um olhar comunicacional sobre a explosão gospel no cenário religioso evangélico no Brasil



Magali do Nascimento Cunha
RESUMO
Uma análise comunicacional da explosão gospel e sua expressão entre os diferentes segmentos do cenário religioso evangélico contemporâneo no Brasil é o objeto deste trabalho. Inicialmente um movimento musical, o gospel explodiu na última década do século XX entre os evangélicos e deu forma a um modo de vida configurado pela tríade música-consumo e entretenimento. Esse modo de vida se expressa, especialmente, em novas formas de culto religioso e na relativização da ética protestante restritiva de costumes. A referida tríade é caracterizada pelas transformações advindas do reprocessamento das culturas das mídias, urbana e de mercado entre os evangélicos e da busca de superação da crise entre protestantismo e sociedade que tem marcado a história deste segmento no Brasil. Entretanto, a análise embasada nos estudos culturais e nas ciências da religião revelou que esses traços de modernidade da cultura gospel estão entrecruzados com a tradição, com a conservação de traços da identidade protestante no Brasil como o dualismo igreja vs. mundo, o individualismo, o intimismo religioso, o sectarismo, a rejeição da diversidade de manifestações culturais e religiosas, o antiecumenismo e o antiintelectualismo. O estudo sobre este encontro do antigo com o novo, do tradicional com o moderno remete à compreensão da cultura gospel como uma cultura híbrida. Uma estratégia de adaptação à modernidade e suas expressões hegemônicas - seja o pentecostalismo, no campo religioso, ou o capitalismo globalizado no campo sócio-histórico -com a garantia de preservação da expressão cultural religiosa tradicionalista, já conhecida e aprovada no "coração das igrejas". O hibridismo é aqui compreendido como criação estéril, uma modernidade de superfície passível de tensões: o "vinho novo em odres velhos".


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Conheça também também o livro "A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil" baseado na tese da autora clicando <<<aqui>>>





sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Rede Aleluia: Instrumento de persuasão e poder em prol da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)



José Wagner Ribeiro
Ricardo José Oliveira Ferro

RESUMO
Analisa o procedimento de comunicação da Igreja Universal do Reino de Deus, com enfoque na programação evangélica da Rede Aleluia de Rádio e os possíveis reflexos dessa prática na propagação dos seguidores da igreja. A hipótese inicial desse estudo baseia-se na apuração de três pilares de funcionamento da Universal – libertação, cura e conversão; identifica os elementos icônicos, assim como o traslado de situações bíblicas que contribuem para a conquista de fiéis. Mensagens veiculadas na Rede Aleluia de Rádio foram uma das ferramentas para analisar o crescimento da igreja através da sua rede de rádio. Conclui que a comunicação praticada na Rede Aleluia de Rádio pela Igreja Universal influencia o radio ouvinte da programação, ao induzi-lo a participar das campanhas da igreja culminando com a sua conversão à organização Universal. 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Fiel Como Garoto Propaganda: Análise Discursiva De Uma Campanha Publicitária Da Igreja Universal do Reino de Deus


Marco Túlio de Sousa, Jênifer Rosa de Oliveira

RESUMO
Este artigo analisa a campanha “Eu sou a Universal” da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que consiste em uma série de depoimentos de profissionais bem sucedidos que supostamente são fieis da denominação. Diferentemente dos relatos divulgados em muitos programas de TV e rádio de propriedade da igreja, a relação com a instituição não fica evidente no contexto da narrativa. Apenas no final, a vinculação com a IURD aparece por meio dos dizeres: “Eu sou a Universal”. Tendo como referencial teórico a análise de discurso francesa, de autores como Pêcheux e Orlandi, e a retórica aristotélica objetivamos identificar o tipo de relação que a IURD procura construir com o público e o modo como este reage. Para tanto, tomamos como objeto de análise o site e a página no facebook da campanha, atentando não somente para as postagens, mas também para os comentários feitos.

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