Mostrando postagens com marcador Igreja Católica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igreja Católica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Escola Latino Americana de Comunicação e Igreja Católica: aproximações e contribuições para as ideais comunicacionais latino - americanas


Ricardo Costa Alvarenga

RESUMO

Neste texto fazemos uma revisão dos documentos das Conferências do Episcopado Latino-Americano,  que  aconteceram  no  Rio  de  Janeiro  (1955),  Medellín  (1968),  Puebla  (1979),Santo  Domingo  (1992)  e  Aparecida  (2007),  como  o  objetivo  de  estabelecer uma  relação entre  o  pensamento  comunicacional latino-americano  e  o  pensamento  católico  sobre  a comunicação.    Destacamos    no    texto    as    possíveis    contribuições    do    cristianismo,particularmente da  Igreja Católica, para as ideais comunicacionais latino-americanas. Com base na revisão de literatura, conclui-se que o catolicismo deve papel preponderante para o entendimento da comunicação no continente.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Ricardo Costa Alvarenga publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Do sagrado tribal ao sagrado midiático: o televangelismo e a formação identitária religiosa



Dora Deise Stephan Moreira

RESUMO

O presente trabalho versa sobre as transformações por que passaram a relação do homem com o sagrado, desde os primórdios até os dias atuais. Na pré-história essa relação se dava, essencialmente, de forma a garantir a sobrevivência dos hominídeos, diante das intempéries da natureza. Num estágio mais avançado, houve uma intensificação dessa relação, uma vez que o homem das sociedades arcaicas passou a atribuir um sentido sagrado a tudo que estava ao seu redor, através das hierofanias. Veneravam-se deuses por intermédio de totens, extraídos do próprio meio ambiente. Com o advento das religiões de salvação, que tiveram no Cristianismo seu maior expoente, surgiu o elemento mediador entre o homem e o sagrado, representado, sobretudo, pelos profetas e sacerdotes. Por um longo tempo, as identidades religiosas possuíram um caráter mais fixo e permanente. Gradativamente, foi dando-se o processo de secularização da sociedade, fator que, dentre outros, ocasionou mudanças substanciais no campo religioso, impactando sobremaneira essas identidades. Os arautos do sagrado foram se transmutando. Com o aumento populacional, para se chegar até os fiéis tornou-se necessário o trabalho de mediadores mais portentosos: os veículos de comunicação. O foco de nossa pesquisa é a mediação televisiva e o peso que ela exerce na formação identitária religiosa na contemporaneidade. Deter-nos-emos na análise dos programas televangélicos, os quais representam anualmente cerca de cinco mil horas da programação dos canais abertos, conforme dados do OBITEL – Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva. Nesse vasto universo, escolhemos como recorte empírico os programas Fala Que Eu Te Escuto (IURD/Rede Record) e Direção Espiritual (Igreja Católica/TV Canção Nova). Para interpretá-los, utilizamos princípios da Análise de Conteúdo, metodologia que tradicionalmente, desde a sua primeira aplicação, vem possibilitando a análise verticalizada de mensagens religiosas.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros trabalhos Dora Deise Stephan Moreira publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

domingo, 20 de novembro de 2016

O acontecimento renúncia de Bento XVI em jornais de referência


Tatiane Milani, Angela Zamin

RESUMO

O presente artigo analisa a produção do acontecimento jornalístico Renúncia de Bento XVI em dois jornais de referência, o brasileiro O Estado de São Paulo e o italiano Corriere della Sera, em suas versões digitais, em fevereiro de 2013. Por meio da Análise de Conteúdo (Bardin, 1979; Herscovitz, 2007), evidenciou-se que, nos jornais, o acontecimento foi assentado sobre escândalos ligados ao Vaticano, enquanto as razões apresentadas pelo Papa foram tomadas como condição que dificultaria trabalhar com tais questões.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Tatiane Milani publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Ângela Maria Zamin publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

LIVRO: Mídia, religião e sociedade - Das palavras às redes digitais




Luís Mauro Sá Martino

SINOPSE

Na sociedade contemporânea, as relações entre mídia e religião ganham novas e inesperadas dimensões. Facilitadas pelos ambientes digitais, essas ligações alteram a lógica da mídia e as práticas da religião, atingindo áreas como a política, a cultura, a economia e outros aspectos da vida cotidiana. De jornais e revistas a aplicativos para smartphones, passando por filmes e programas de televisão, denominações religiosas estão em vários espaços no ambiente das mídias. A ligação com as mídias aumentou a visibilidade pública das religiões, colocando indivíduos, comunidades e sociedades diante da necessidade de conviver com a diferença, com visões de mundo opostas - com o desafio de viver juntos. Dirigido a pesquisadores e estudantes das áreas de Comunicação e Ciências Sociais, Mídia, religião e sociedade oferece um panorama dessas relações. A partir de estudos de casos e situações do cotidiano, mostra também algumas das principais teorias, conceitos.

Saiba mais sobre a obra e como adquirir clicando <<<aqui>>>,



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Peregrinação, experiência e sentidos: Uma leitura de narrativas sobre o Caminho de Santiago de Compostela


Míriam Cristina Carlos Silva; Tarcyanie Cajueiro Santos

RESUMO

Objetiva-se refletir sobre as possibilidades comunicacionais a partir da experiência da peregrinação, registrada nas narrativas do site da Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela; assim como investigar o modo como se narram estas experiências, discutindose a produção de sentidos a partir do que é narrado. Pergunta-se: O que dizem estas narrativas? Qual é a importância delas para a experiência da peregrinação? Estas narrativas propiciam pistas sobre o mundo contemporâneo, a experiência da peregrinação, a natureza do narrador, os enredos mais narrados e suas tramas, o leitor ideal esperado e o que se pretende comunicar ao narrar este tipo de experiência.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros trabalhos de Míriam Cristina Carlos Silva publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

Confira outros trabalhos de Tarcyanie Cajueiro Santos publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A manifestação da fé em Cachoeira Paulista: o espaço sagrado da comunidade Canção Nova 1978 - 2011


Jefferson Rodrigues de Oliveira

RESUMO

A geografia da religião no Brasil pós 1990, vem apresentando temas que auxiliam os geógrafos no entendimento do espaço. Para o geógrafo da religião, os estudos têm por análise a dimensão espacial da fé, no tempo e no espaço, trata-se da análise de duas categorias: o sagrado e o profano. Esta pesquisa visa como objetivo, o estudo da comunidade católica, a Canção Nova, inserida em um movimento renovador na Igreja Católica Apostólica Romana denominada Renovação Carismática Católica (RCC) em seu espaço e no tempo de fé. Torna-se necessário desenvolver a importância do sagrado no Vale do Paraíba Paulista em seus sucessivos (re) arranjos espaciais na hierópolis de Cachoeira Paulista. A interpretação dessas organizações espaciais ocorreu ao analisar os possíveis agentes modeladores no espaço: peregrinos, turistas, visitantes, comerciantes e moradores. O Espaço Sagrado e seus respectivos espaços vinculados representaram a contribuição geográfica dessa dissertação e facilitou a compreensão do homem com o divino e sua relação na dimensão econômica, a dimensão política e a dimensão do lugar.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Jefferson Rodrigues de Oliveira publicados no Mídia, Religiao e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

“Midiatização da Religião: processos midiáticos e a construção de novas comunidades de pertencimento - Estudo sobre a recepção da TV Canção Nova”


Paulo Roque Gasparetto

RESUMO

 Examina-se aspectos do funcionamento do fenômeno da midiatização da religião  caracterizada como “comunidades de pertencimento”, dando atenção para as suas causas, mas,  sobretudo, mostrar experiências televisivas que atravessam o cotidiano dos fiéis, deslocando-os  para vivências que se realizariam no interior da comunidade demarcadamente sociorreligiosa-  televisiva. Mostra-se as estratégias de reconhecimento de sentido religioso e práticas  sociossimbólicas religiosas, desenvolvidas por receptores católicos da TV Canção Nova, em  Caxias do Sul.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Paulo Roque Gasparetto publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

domingo, 16 de outubro de 2016

IGREJA CATÓLICA NO MUNDO DIGITAL: As tensões entre discurso e prática da igreja na era da internet e as redes de relacionamento do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, como fenômeno de midiatização religiosa


Thamiris Magalhães de Souza

RESUMO

Este trabalho busca analisar os processos de interação entre fiéis e igreja, mais especificamente nas redes de relacionamento da maior procissão católica da América Latina: O Círio de Nossa Senhora de Nazaré, realizado todo segundo domingo de outubro na capital paraense, Belém do Pará. As redes sociais digitais do Círio e dos internautas, mais especificamente o Facebook, são estratégias ainda recentes utilizadas pela igreja para evangelizar, nas chamadas mídias digitais, originárias da web 2.0 e da cibercultura, em uma sociedade em vias de midiatização. Nessas novas plataformas comunicacionais, a religião começa a alterar seus modos de se comunicar, sendo que os fiéis passam a ter papel central e relevante neste novo cenário. Nesta análise, são discutidas que mudanças começam a surgir no discurso e na prática da Igreja Católica Apostólica Romana proporcionadas pela inserção da igreja no mundo digital, bem como as tensões encontradas ao longo deste percurso entre o dizer e o fazer da instituição religiosa. São percebidas, ainda, as divergências encontradas nas opiniões dos próprios padres, com relação ao uso, objetivo e outros detalhes quanto à evangelização no meio digital. Como estudo de caso, são analisados os discursos dos internautas nas mídias digitais do Círio de Nazaré, percebendo se há uma alteração no modo de ser e fazer religião e um novo modo de ser religioso que começa a emergir nas redes de relacionamento da internet, com a crescente midiatização da sociedade.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Thamiris Magalhães de Souza publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Verso una «cyberteologia»? L’intelligenza della fede nel tempo della Rete


Antonio Spadaro

RESUMO

The intelligence of faith in the era of the Net – The Internet has become part of everyday life for many people, and for this reason it increasingly contributes to the construction of a religious identity of the people of our time, affecting their ability to understand reality, and therefore also to understand faith and their way of living it. The Net and the culture of cyberspace pose new challenges to our ability to formulate and listen to a symbolic language that speaks of possibility and of signs of transcendence in our lives. Perhaps the time has arrived to consider the possibility of a cybertheology also understood as the intelligence faith in the era of the Net. It would be the fruit of faith that releases from itself a cognitive boost at a time in which the logic of the Net influences the way we think, learn, communicate and live.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Antonio Spadaro já divulgados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Da festa ao cerimonial midiático: as estratégias de midiatização da teleromaria da Medianeira pela Rede Vida



Viviane Borelli

RESUMO

A pesquisa se propõe a examinar os modos com que os processos midiáticos afetam os rituais e as práticas religiosas através de análise das estratégias desenvolvidas pela Rede Vida na construção da Teleromaria da Medianeira. Mostra-se que ao produzir a Romaria, que acontece em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil, a mídia televisiva passa a impor as suas próprias regras e gramáticas, gerando uma outra cerimônia, a midiática. Ao analisar essas processualidades - da festa ao cerimonial televisivo - identificam-se distintos momentos e estágios de afetação dos cerimoniais midiáticos sobre as práticas religiosas, evidenciando como a midiatização estrutura e regula as relações entre os campos por meio do trabalho de seus dispositivos tecno-simbólicos. É nessas condições que a tese mostra que o processo de midiatização da Romaria acaba gerando um produto, a Romaria midiatizada. Nesse contexto, a investigação é elaborada numa perspectiva em que, cada vez mais, as festas passam a ser co-determinadas pelas atividades midiáticas, que se realizam através de operações técnicas e discursivas de seus dispositivos por meio de distintas estratégias de produção de sentidos. Para tanto, utilizou-se um conjunto de procedimentos teóricos, metodológicos e técnicos que inclui pesquisa bibliográfica e documental, observação, entrevistas e análises de documentos midiáticos. A tese está construída em três partes: na primeira, discutem-se os principais conceitos que norteiam a pesquisa, como de midiatização, campos sociais e cerimonial midiático; na segunda, abordam-se alguns aspectos mais contextuais para mostrar como a cerimônia religiosa é perpassada ao longo de sua realização por processos comunicacionais; na terceira, analisam-se os cinco modelos de midiatização através das transmissões da Romaria pela Rede Vida dos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2006. O estudo evidencia que os processos de midiatização fazem com que a cerimônia em si seja reconfigurada e que o campo religioso passa a estreitar e a desenvolver complexas relações com o midiático, reestruturando os modos de organização de seus rituais para adaptá-los às lógicas midiáticas.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Viviane Borelli publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>,

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A religião teleterapeutizante: discursividades dos templos midiáticos


Antonio Fausto Neto

RESUMO

Com base em pesquisa de teleemissões veiculadas no período de 2002/2004, estudam-se, além dos diferentes formatos de permanência da religião na esfera pública no Brasil, as estratégias de embate religioso – Igrejas Evangélica e Católica – no sentido de uma nova configuração do mercado religioso. Descrevem-se os dispositivos midiáticos para fazer face aos diferentes sintomas que neles se apresentam, através de demandas e de buscas de processos de curas às diferentes formas de mal-estar que acometem a saúde do corpo e da mente dos indivíduos que se expõem aos programas. Não se trata mais da prédica de uma religião abstrata, mas daquela que, fundando-se na ‘economia do contato’, trata de transformar o lócus midiático em ambiente de consolo, atendimento e de terapeutização.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Antonio Fausto Neto publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

La Encíclica Laudato Si’ en El País y en El Mundo


Rogelio Fernández Reyes

RESUMO

La especie humana viene causando un cambio global, en un periodo denominado antropoceno. La ONU ha alertado de cambios “sin precedentes” en la Tierra, dentro de los cuales el cambio climático se está erigiendo en uno de los mayores retos de la especie humana. La cumbre de París, en diciembre de 2015, ha sido una cita destacada en el calendario internacional en torno a este reto. Previamente, numerosas voces y líderes se han pro-nunciado sobre la seriedad del desafío. Entre las aportaciones que han tenido un fuerte eco mediático y previsiblemente una considerable influencia, se encuentra la encíclica Laudato Si’ del Papa Francisco. Estudiar cómo ha sido tratado por medios escritos nos puede dar una muestra de la representación social generada en torno a este documento. Para esto se aplica un análisis de contenido en las informaciones que abordan la encíclica en los diarios de más difusión españoles.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Rogelio Fernández Reyes publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Brands of faith: marketing religion in a commercial age


Mara Stein

Apresentação (clique <<<aqui>>> para baixar o livro)

In a society overrun by commercial clutter, religion has become yet another product sold in the consumer marketplace. Faiths of all kinds must compete not only with each other, but with a myriad of more entertaining and more convenient leisure activities. Brands of Faith argues that in order to compete effectively faiths have had to become brands – easily recognizable symbols and spokespeople with whom religious prospects can make immediate connections.

Mara Einstein shows how religious branding has expanded over the past twenty years to create a blended world of commerce and faith where the sacred becomes secular and the secular sacred. In a series of fascinating case studies of faith brands, she explores the signifi cance of branded church courses, such as Alpha and 40 Days of Purpose, the growth of megachurches, and the popularity of televangelists like Joel Osteen and their counterpart television talk-show host Oprah Winfrey, as well as the rise of Kabbalah. She asks what the consequences of this religious marketing will be, and outlines the possible results of religious commercialism – good and bad. Repackaging religion – updating music, creating teen-targeted bibles – is justifi able and necessary. However, when the content becomes obscured, religion may lose its unique selling proposition – the very ability to raise us above the market.

Mara Einstein is Associate Professor of Media Studies at Queens College as well as a professor at the business school at New York University. Prior to teaching, she worked as a marketing executive at NBC and MTV Networks as well as at a number of major advertising agencies.

Sumário

Series editors’ preface viii

Preface ix

1 Introduction 1

2 The changing religious marketplace 16

3 The business of religion 37

4 Branding faith 67

5 The course to God 95

6 The new televangelists 120

7 Kabbalah: marketing designer spirituality 147

8 The politics of faith brands 173

9 Has religious marketing gone too far? 192

Leia o livro online na íntegra clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Mara Stein publicados no Mídia, Religiao e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

domingo, 21 de agosto de 2016

Decifra-me ou te devoro: os desafios das igrejas na sociedade em midiatização – Entrevista com Pedro Gilberto Gomes

22/08/2016
Por Marco Túlio de Sousa
Doutorando em Comunicação (Unisinos) 

Professor Dr. Pedro Gilberto Gomes da Unisinos.
A segunda entrevista do Mídia, Religião e Sociedade é com o pesquisador Dr. Pedro GilbertoGomes, docente do programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e pró-reitor Acadêmico na mesma universidade. Na entrevista concedida a Marco Túlio de Sousa, administrador deste blog, o professor falou dos conceitos de “igreja eletrônica” e “midiatização” e destacou a importância de pesquisadores e instituições religiosas compreenderem o que significa hoje estar na mídia hoje.


Mídia, Religião e Sociedade (MRS): Em seu livro “Da Igreja Eletrônica à sociedade em midiatização” (GOMES, 2010) o senhor traz o conceito de “igreja eletrônica” para falar em um primeiro momento dos televangelistas americanos e depois propõe pensar esta problemática que envolve mídia e religião por meio do conceito de “midiatização”. Para o senhor o conceito de “igreja eletrônica” é produtivo para pensar apenas aquela dinâmica inicial ou desde sempre ele já mostrou insuficiente para dar conta deste fenômeno? 

Pedro Gilberto Gomes: Veja, nem uma coisa nem outra, no meu entendimento, se a gente olha o que está na raiz dos televangelistas norte americanos nós encontramos um histórico que os liga aos revivals que vem desde a época do faroeste. Basicamente, de tempos em tempos surgia um grande pregador nos EUA que percorria o país de cidade em cidade, com grandes tendas armadas, para fazer aquele reavivamento moral. Posteriormente, esse reavivamento veio a acontecer no radio, com os grandes pregadores, dentre eles o Billy Graham, que era batista, e o Fulton Sheen, do lado católico. Já os televangelistas, aqueles que eu faço uma resenha no livro, levam isto para a TV. E aí é que vem o conceito de “igreja eletrônica”. Eles criam, eles trabalham com uma igreja cuja base é a televisão. Muitos começam na televisão, depois constroem uma catedral, criam universidades, hospitais e quando chegam a criar um canal próprio de televisão quebram. Mas eles não são uma igreja no sentido estrito, como nós conhecemos (com templos e pastores espalhados em vários lugares etc). Muitos até estavam em uma religião tradicional, batista, metodista, por exemplo, tinham uma iluminação e começavam a pregar na televisão. Com o tempo ficavam mais famosos que a própria igreja e se separavam dela, fundando a sua própria, que era a “igreja eletrônica”. Então, nesse conceito a Universal não pode ser considerada uma igreja eletrônica. Por quê? Porque se tu vais de norte a sul do Brasil ou nos países onde ela está, ela tem templos espalhados. O central dela não é, como para os televangelistas norteamericanos, a comunidade como igreja eletrônica. Então, esse conceito explica aquele momento e ajuda a pensar. Quando eu levo para a discussão de ”midiatização” para explicar essa relação mídia e religião é porque eu começo a perceber que nessa realidade de uma sociedade em midiatização, neste novo ambiente que se estabelece, o modo de fazer religião muda.

MRS: E quanto ao envolvimento das instituições religiosas, especificamente da Igreja Católica, como o senhor vê essa relação?

Pedro Gilberto Gomes: Bom, antes de trabalhar nessa questão da midiatização, eu publiquei um artigo que saiu na revista Perspectiva Teológica que se chamava “Decifra-me ou te Devoro”, em que falava da Igreja Católica e que se nós não decifrássemos esse enigma de estar presente nos grandes meios (que naquele contexto era a televisão) seríamos devorados por eles. O título foi uma analogia na qual a mídia é o primeiro anel do livro Senhor dos Anéis, do Tolkien. Se alguém achava que poderia usar o poder do anel para fazer qualquer coisa era engolfado pelo poder dele, já que ele obedecia ao Sauron. E se tu vês no final, o anel só foi destruído por um acidente, senão ele não teria sido destruído. E olha que o Frodo não queria usar o anel. Ele foi lá pra destruir o anel e mesmo assim o anel o pegou. Quer dizer, a mídia é como esse primeiro anel de Tolkien porque se eu não a decifro sou destruído por ela. Tenho que estar na televisão, mas preciso analisar o que significa isso, que tipo de religião se está criando. Por exemplo, o padre Marcelo estruturou sua vida em torno da televisão e acho que ele não a decifrou corretamente, tanto que ele foi engolido por ela. Hoje se olhares a televisão, ele está pouco lá. E muitas vezes quando ele aparece é para falarem que ele está magro etc. Não é mais aquele padre que está na televisão, celebrando a missa cantando e dançando. Agora existem outros.

MRS: e as demais igrejas? Decifraram esse enigma?

Pedro Gilberto Gomes: Não, ainda estão engatinhando. O grande problema é que as igrejas se colocam ainda como se estivessem em uma “sociedade dos meios” (FAUSTO NETO, 2008), achando que os meios não são outra coisa que canais para passar a sua mensagem. Então eu posso entrar e, claro, em vez de falar para um grupinho de 12 pessoas, agora, com a internet, eu falo para milhões de pessoas, eu passo a minha mensagem. Não é assim, existem normas, existem regras, existem dinâmicas próprias das mídias que são diferentes das normas da religião e eu tenho que fazer concessões. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul os capuchinhos venderam um canal de TV para Bandeirantes, que por um tempo continuou a transmitir a missa. O encarregado era o frei Renato Zanola e a primeira coisa que a emissora colocou como condição era que ele usasse o hábito na hora de rezar a missa. Mas eu nunca o vi de hábito. Isso foi uma foi uma concessão que ele teve de fazer ao espetáculo. Essas coisas é que a igreja não está se dando conta. Daí a pergunta que eu faço a partir do Hoover: eu não tenho que perguntar o que a religião faz com os meios, mas que religião está surgindo deles? A mídia em geral cria novas condições de relacionamento entre as pessoas. Então nesse sentido, se muda o modo de ser religioso. Por exemplo, pega o site [da basílica] de Aparecida, o A12. Lá tu podes colocar uma vela para Nossa Senhora e definir até a duração dela. Existe a possibilidade de fazer uma visita guiada ao santuário. E nessa visita guiada tu vês a imagem original de Aparecida com muito mais riqueza, com muito mais facilidade do que se for lá.

MRS: Este é um ponto interessante porque muitas vezes se tem essa percepção, inclusive na academia, de que a experiência religiosa nessa ambiência é sempre de baixa qualidade, inferior se compararmos com aquela vivenciada no templo. Então, parece que a questão não é bem essa...

Pedro Gilberto Gomes: é qualitativamente diferente, é outra coisa. Eu vou te dar o exemplo de uma tese defendida no programa [de pós-graduação em Comunicação da Unisinos] sobre missa televisiva. O Domingos Volney Nandi fez uma pesquisa quantitativa com dados de quem assistia as missas do padre Marcelo Rossi. Depois fez uma pesquisa qualitativa, com grupos focais. Nessa fase ele pegou uma missa do padre Marcelo e nos momentos em que aparecia o povo cantando substituiu pelas imagens da plateia do Faustão. Ninguém percebeu que não era o mesmo público. Aí ele se perguntou: o que está havendo? É um novo modo de ser mostrando também que no caso da televisão existem regras e dos processos televisivos aos quais eu tenho de fazer concessão. E quando eu faço concessão a essas regras, eu mudo o modo de ser religioso, eu mudo o modo de ser igreja, eu mudo o modo de ser em sociedade. Em outro trabalho sobre o site da Canção Nova mesma coisa. Se não se fala em Nossa Senhora, ninguém diferencia este do site do Edir Macedo. Não há diferença.

MRS: então essa nova ambiência acaba, de algum modo, aproximando as instituições do ponto de vista de suas performances?

Pedro Gilberto Gomes: Sim. O conteúdo dentro desses meios se torna secundário, porque o que muda é o modo de relacionar. No site da Canção Nova tem missa, tem participação, pedido de oração, conselho. No caso do Edir Macedo não vai ter a missa, mas o culto, tem a pergunta para ele, pedido de oração, as manifestações etc. A questão não é de conteúdo é o modo de ser, como acostumo a assistir a missa, a fazer a oração diante do site, a conversar via site, a ouvir as respostas de oração, acender velas em ambiente virtual etc.

MRS: Bom, mesmo com essas semelhanças nós percebemos que a igreja católica e as igrejas protestantes tradicionais inicialmente apresentaram mais dificuldades pra poder se inserir e ocupar esses espaços na mídia. Enquanto isso igrejas evangélicas pentecostais despontaram com produções em todas as mídias. A que o senhor atribui isso?

Pedro Gilberto Gomes: a grande maioria das igrejas evangélicas pentecostais já nasceu sob o signo da televisão. Elas apenas entraram na corrente. E assim como entraram na televisão, também fizeram o mesmo nas redes sociais. A história dessas igrejas é uma história recente. Portanto, elas não têm nenhuma preocupação, nenhum compromisso com uma tradição. Não têm o peso da história. As igrejas históricas, tanto a católica quanto a luterana, ortodoxa, etc, todas essas igrejas têm uma tradição. Quando o rádio, a televisão e as redes sociais chegaram, elas já tinham uma história. O que está por trás dessas igrejas ainda é o conteúdo, o importante é o conteúdo. Para elas os meios de comunicação são instrumentos para que se expanda cada vez mais a Palavra, porque a palavra é que é importante, o conteúdo da mensagem é que é importante. As igrejas mais modernas [neopentecostais] já nasceram sob o signo da transitoriedade, percebendo que o importante é o parecer, o espetáculo. Eu voltaria a dizer pra ti o seguinte: toda essa situação está lançando para as igrejas históricas um enigma que deve ser decifrado. Ou elas decifram, ou serão devoradas. Ok?

Textos citados na entrevista



GOMES, P. G.. Da Igreja Eletrônica à sociedade em midiatização. São Paulo: Paulinas, 2010.



NANDI, Domingos Volney. Missa Catódica. O (des) encontro de suas lógicas no processo de midiatização da ritualidade da Celebração Eucarística. 2005. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos. 

Sobre o autor
Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1973), especialista em Teologia pela Pontificia Universidad Católica de Santiago, mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1987) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1991). Atualmente é professor titular da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, comunicação cristã, comunicação, cultura e mídia. Membro do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Sul, membro do Conselho Superior da CIENTEC do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Superior do CETA/SENAI e do CNTL/Ceta/Senai. Membro do Conselho Superior da FAPERGS (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do Rio Grande do Sul. Exerce o cargo de Pró-Reitor Acadêmico da Unisinos e é Diretor da Editora da mesma Universidade. 

Conheça textos de Pedro Gilberto Gomes já publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

“E o verbo se fez rede” uma análise da circulação do “católico” em redes comunicacionais online


Moisés Sbardelotto

RESUMO

Com o avanço da midiatização digital, a Igreja Católica e a sociedade em geral desenvolvem novas modalidades de comunicação na internet, em que se constitui uma diversificada e difusa rede de relações entre símbolos, crenças e práticas vinculados ao catolicismo, aqui chamada de “católico”. A partir desse contexto, esta tese analisa como se organizam os processos midiáticos de circulação do “católico” em redes comunicacionais online, que emergem em plataformas sociodigitais, como Facebook e Twitter. A análise se dá por meio de um estudo de casos múltiplos, articulado com gestos de lurking e entrevistas focais semiestruturadas realizadas com responsáveis pela comunicação católica no Vaticano e no Brasil, a partir de um nível suprainstitucional (a conta @Pontifex_pt, no Twitter); um nível institucional vaticano (a página Rádio Vaticano – Programa Brasileiro, no Facebook); um nível socioinstitucional brasileiro (a página Jovens Conectados, no Facebook); e um nível minoritário periférico brasileiro (a página Diversidade Católica, no Facebook). A partir de questões pontuais e proposições, os eixos de articulação e tensionamento teóricos refletem sobre os conceitos de midiatização; midiatização digital; e midiatização digital da religião. Analisam-se, depois, os quatro casos empíricos em torno da circulação do “católico” em rede, a partir das interfaces, protocolos e reconexões observados em cada caso, interpretando criticamente os processos envolvidos na midiatização digital da religião, em três ângulos diferenciados de inferências. Primeiro, no âmbito da midiatização digital, examina-se a emergência de redes comunicacionais online, que articulam circuitos e alimentam o fluxo circulatório. Segundo, no âmbito da circulação midiática em rede, constata-se a emergência de um dispositivo conexial, isto é, um complexo de inter-relações entre processos tecnossimbólicos (interfaces), sociotécnicos (protocolos) e sociossimbólicos (reconexões) que, de forma inter-retroativa, delimitam, condicionam e condensam as práticas religiosas em rede. Em terceiro lugar, no âmbito da reconstrução do “católico”, aponta-se para a emergência de um novo interagente comunicacional, o “leigo-amador”, e de heresias comunicacionais, mediante as quais se dá a invenção/produção de algo novo (construção) e a experimentação/transformação de algo já existente (desconstrução) em torno do catolicismo. Como conclusão, pondera-se sobre o surgimento de uma “religião (em) comum”, marcada por um saber-fazer e por um poder-fazer simbólico-religiosos compartilhados comunicacionalmente para a promoção de experiências; o estabelecimento de crenças; e a configuração de práticas religiosas nas sociedades contemporâneas.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Moisés Sbardelotto publicados no Mídia, Religiao e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

terça-feira, 26 de julho de 2016

A Igreja Católica e a difusão da fé na hipermodernidade: o exemplo do mass media e as online communities

Jefferson Rodrigues de Oliveira

RESUMO
O presente artigo, inserido nos estudos da geografia cultural pós-80, onde os aspectos simbólicos e os bens imateriais também são analisados, tem por objetivo apresentar uma discussão a partir das relações entre geografia e religião. A ótica do sagrado a ser analisada, procura tomar por base as estratégias de difusão da fé, realizadas pela Igreja Católica Apostólica Romana em seus diferentes movimentos eclesiais, em especial a Renovação Carismática Católica – RCC, para continuar mantendo seu poderio frente ao crescimento de outras doutrinas religiosas, assim como, o crescente processo na sociedade contemporânea da hipermodernidade.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Jefferson Rodrigues de Oliveira publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Cibergraça: fé, evangelização e comunhão nos tempos da rede


Aline Amaro da Silva

RESUMO

A presente dissertação examina os efeitos da invenção da internet na teologia e sociedade, definindo o que é ciberteologia a fim de descobrir qual sua contribuição para melhor compreender e inter-relacionar a cultura, a fé e o ser humano contemporâneo. Delimita-se o tema em cibergraça, entendida como a comunhão entre as pessoas nos tempos da rede. Primeiro, apreende-se o ciberespaço como um lugar profundamente antropológico onde se pode refletir teologicamente. O estudo também busca verificar como a rede afeta ou potencializa a relação de comunhão entre as pessoas, em especial com a juventude, público predominante no ciberespaço. Além disso, analisa o valor eclesiológico da internet na missão de evangelizar todos os povos, construindo a relação entre evangelização e comunhão na era digital. O trabalho utiliza basicamente os métodos de pesquisa exploratória, bibliográfica e documental. A dissertação se fundamenta principalmente nas obras e artigos de Antonio Spadaro, autor do livro e do campo teológico “Ciberteologia”, pano de fundo deste estudo. Para fundamentar a análise sociológica e cibercultural do primeiro capítulo, faz-se uso de autores como Manuel Castells, Pierre Lévy e André Lemos. Na teologia trinitária destaca-se a contribuição de Gisbert Greshake e John Zizioulas. Também o trabalho se inspira no pensamento científico-teológico de Teilhard de Chardin seja diretamente ou indiretamente através de autores como Jennifer Cobb, com sua obra “Cybergrace”.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros trabalhos de Aline Amaro da Silva publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O senso do religioso na era digital: a nova ambiência da fé


Leomar Antônio Brustolin

RESUMO

O artigo aborda a experiência religiosa contemporânea influenciada pelas novas mídias. Parte da reflexão sobre as mudanças culturais que ocorreram nas últimas décadas e acabaram incidindo diretamente sobre o comportamento religioso. O novo cenário é abordado especialmente a partir da popularização da internet, que possibilitou uma nova ambiência religiosa. As novas formas de interatividade atingem a relação do humano com o divino. Não se trata apenas de novas linguagens, mas de diferentes percepções do sagrado acessível pelas redes. Dentre as inovações está a desintermediação, que dispensa mediadores na relação do humano com o transcendente. Prescinde-se de templos, lugares, tempos, líderes e normas que condicionem ou determinem a aproximação do fiel com a divindade. O estudo aborda especialmente as consequências dessa autonomia para a vivência comunitária da fé cristã, o sentido de pertença eclesial e os vínculos de solidariedade que sofrem mutações consideráveis. O fenômeno é avaliado a partir da Teologia do Concílio Vaticano II, procurando valorizar o diálogo da fé cristã com essa nova ambiência e, ao mesmo tempo, sustentando a singularidade do Cristianismo, enquanto religião do encontro, da proximidade e da misericórdia.

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outras publicações de Leomar Antônio Brustolin publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Portal Canção Nova: Vínculos Comunicativos na Cibercultura


Glaucya Stela Candido Tavares

RESUMO

A pesquisa trata das relações comunicativas constituídas no Portal Canção Nova. Reflete acerca do fenômeno da cibercultura na sociedade atual e de alguns de seus desdobramentos referentes à possibilidade de criação de vínculos sociais por meio da internet, e mais especificamente por meio de um portal religioso.
O estudo tem como questões centrais: é possível estabelecer vínculos no ambiente da cibercultura? Caso seja possível, qual a natureza e o que favorece esses vínculos no Portal Canção Nova? Como se constitui a criação e a manutenção dos vínculos religiosos nas práticas de filiação às comunidades virtuais? 
O objetivo central foi investigar como se dá o estabelecimento de vínculos comunicativos, sua criação e manutenção na cibercultura, nas práticas de filiação às comunidades virtuais religiosas, especificamente na comunidade do portal Canção Nova. 
Trata-se de uma pesquisa qualitativa/descritiva que se baseou em estratégias de análises documental e de conteúdo. O referencial teórico da pesquisa utilizou como alicerces conceituais de “vínculos comunicativos” as obras dos professores Norval Baitello Júnior, Malena Segura Contrera, José Eugênio de Menezes e Boris Cyrulnik. No âmbito das ciências da comunicação, a pesquisa buscou alicerce em Edgar Morin, Harry Pross, Vilém Flusser, Bóris Cyrulnilk e Norval Baitello. O pensamento de Rubem Alves, Mircea Eliade, Zygmunt Bauman, Eugênio Trivinho e Jorge Miklos compõe do mesmo modo o quadro de referência para a investigação

Leia online o texto completo clicando <<<aqui>>>.

Confira outros textos de Glaucya Stela Candido Tavares publicados no Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>. 

domingo, 26 de junho de 2016

"Viver a religião hoje é um fato público que passa pela mediação da mídia" - Entrevista com Antônio Fausto Neto (parte 2)

27/06/2016

Por Marco Túlio de Sousa
Doutorando em Comunicação (Unisinos)


Professor Dr. Antônio Fausto Neto na Unisinos
Na primeira parte da entrevista o professor Dr. Antônio Fausto Neto falou da sua pesquisa sobre as produções televisivas da igreja católica e de igrejas evangélicas pentecostais. De acordo com ele, apesar das doutrinas das igrejas diferirem, a inserção na mídia fazia com que se adaptassem a lógicas próprias do campo midiático, tornando suas performances similares. Além desta análise sobre a presença da religião na TV, integra o projeto “Processos Midiáticos e Construção de Novas Religiosidades: as dimensões discursivas” uma investigação a respeito da midiatização do Círio de Nazaré. É com este tema que continuamos a entrevista.

MRS: Eu queria que o senhor falasse do segundo ponto do projeto de pesquisa, que envolve o Círio de Nazaré. 

Fausto: Foram dois momentos de observação sobre duas procissões: uma há mais de 10 anos [2001] e outra em um momento mais recente [2013]. No primeiro estudo eu procurava mostrar como os campos sociais se tensionavam e, particularmente, como o campo religioso era tensionado pela presença de outros campos na organização e no funcionamento de certos rituais. Ou seja, como os campos da política, da economia, da segurança etc faziam convergir para o campo religioso um conjunto de cooperações a fim de que aquele acontecimento, não obstante a sua dominância religiosa, tivesse marcas de outros campos sociais que, por seu turno, faturavam essa colaboração do ponto de vista eleitoral e de propaganda/ publicidade de mídia etc. Ali se apresentava o início dessas articulações complexas de campos. Era um evento/ ritual católico, mas que, por ser um acontecimento que atravessava os veios da organização social em termos de devoção, de crença e de reputabilidade pública, para sua realização se oferecia o concurso de muitas práticas de campos sociais como uma forma destes campos também investirem a sua reputação simbólica na medida em que também participavam da sua realização. Ou seja, a romaria tinha um veio dominante católico/ religioso, mas não existiria se não fossem estes outros interesses que perpassavam a sua organização. Já no outro estudo, mais de 10 anos depois, eu mostrei uma mudança, uma complexificação dessas relações entre campos, mas, sobretudo, a importância desse acontecimento de rua que tomava uma feição, não só pela robustez da fé e da devoção dos fiéis, mas pela presença de redes sociais. O acontecimento era em uma ponta dinamizado pela internet e pelas redes sociais e levado adiante por esse movimento de um coletivo amplo, e não mais só pelos romeiros. Era dinamizado pelo twitter, pelo facebook. Na outra ponta repousava sobre sistemas midiáticos tradicionais e modernos o processo de anunciabilidade. Ou seja, ao longo da procissão instalavam-se na Av. Nazaré, em Belém, vários estúdios improvisados em apartamentos onde se alocavam várias celebridades como padre Fábio de Melo, padre Marcelo, Fafá de Belém etc. Todas estas celebridades coordenando um estúdio de rádio ou televisão transmitindo o evento, mas da perspectiva da lógica dos seus interesses e das mídias também. Isso ocorre a tal ponto que em certo momento a procissão passa em frente ao local onde está o padre Fábio de Melo e ele não só dá a bênção, que seria a benção aos fieis que tradicionalmente é dada pelo bispo local que esperava a procissão no final do cortejo, mas também faz uma selfie, como a dizer: “eu estive aqui e nessa função específica”, foto essa que naquele momento foi espalhada para urbi et orbi (para o mundo) mostrando sua performance. Fafá de Belém leva uma orquestra para tocar. Então, têm-se várias iniciativas que tratam de convergir com a natureza da festa, que também fazem derivar dela alguns produtos de ordem midiática, mas na perspectiva de uma economia de negócio, uma economia simbólica que não tem como central a procissão e o ator religioso nas suas fronteiras.

MRS: isso diz muito da entrada de uma lógica do espetáculo atravessando o ritual religioso. Ou seja, o ritual religioso permanece como ponto de articulação, mas permeado agora por outras lógicas...

Fausto: sem dúvida! Apesar de toda a sua riqueza, a lógica do espetáculo religioso é inibida pela presença de outras formas ritualísticas de espetáculo que comparecem não só nos seus representantes, mas também por seus dispositivos técnicos que dão a aquele acontecimento uma leiturabilidade totalmente distinta da que seria característica do evento, ou seja, da devoção da missa etc. Cada um tira partido, digamos assim. Isso tem se complexificado a tal ponto que as pessoas que moram naquela região alugam por uma semana as fachadas dos seus apartamentos a preços bem apreciados para serem transformados em estúdios de rádio e televisão, e, sobretudo, de celebridades.

MRS: Bom, o senhor acabou tocando neste ponto de forma indireta em alguns momentos da entrevista, mas, para sistematizar, eu gostaria que falasse sobre o que caracterizaria o relacionamento do campo religioso com o campo midiático na “sociedade dos meios” e na “sociedade em midiatização” (FAUSTO NETO, 2008), dois conceitos muito fortes na sua trajetória de pesquisa.

Fausto: Bom, grosso modo, é o seguinte: na “sociedade dos meios” os meios de comunicação, pela sua organização de seus modos de produção, da sua sintaxe, tematizavam e exerciam certo controle do acontecimento religioso, ou seja, o acontecimento religioso era subordinado a certas leis internas da programação de uma rádio ou de uma televisão. Exemplificando: houve um momento no passado em que a televisão transmitiu o Círio durante 8 horas porque havia uma simbiose do seu interesse e do interesse do campo religioso no sentido de reconhecer que aquele acontecimento era central na vida daquela população. Mas, a partir do momento em que interesses outros de programação nacional, regional atravessam a vida de uma rádio, de um canal de TV, a noção de tempo da procissão de oito, seis, cinco horas vira uma hora, meia hora restringindo-se à cobertura de aspectos centrais como a benção do bispo ou à entrada do cortejo na igreja etc. Esse momento caracteriza a centralidade do papel dos meios na organização de grandes eventos públicos. Evidentemente que esses grandes eventos públicos são atravessados por grandes cerimoniais de fundo, conforme bem disse o Daniel Dayan (1992, 1999) quando ele estuda acontecimentos que são televisionados, que, segundo ele, se baseiam em rituais profundos em termos de representação simbólica por parte da história da sociedade humana. Na medida em que a sociedade exacerba o funcionamento de tecnologias convertidas em meios e isso atravessa todas as práticas sociais, inclusive a religiosa, o campo institucional midiático não desaparece, mas deixa de ter uma centralidade porque o acontecimento está na mão de todo mundo, tanto das fontes produtoras religiosas, que passam a ter todos os dispositivos para produzí-lo, quanto dos atores sociais que têm internet, que têm celular, whatsapp, facebook, twitter. Então, sai-se de uma centralidade de transmissão midiática para uma pluriversidade de transmissões que se fazem de acordo com regimes, motivações e interesses de cada cidadão. Há, claro, um acontecimento “jurídico”, sociológico que se faz naquela semana e, especificamente, naquela procissão, mas o modo de “desenhar” sua existência sai da mão de peritos, de mediadores que tinham a responsabilidade central no modo de narrá-lo, de anunciá-lo, de comentá-lo e passa para as mãos de todos que podem com o acesso às tecnologias, construir as suas enunciações...

MRS: Podemos dizer que se sai de uma lógica transmissiva para se entrar em uma lógica de compartilhamento?

Fausto: de compartilhamento nesse sentido de que todos os agentes tem acesso a dispositivos midiáticos que antes estavam nas mãos apenas dos peritos da mídia. É isso que caracterizaria o acontecimento nessa sociedade em midiatização. Contudo, não se quer dizer que não haja rusgas muito importantes que apontam para tensionamentos, recuos, resistências a esses fenômenos. Existem tensões nesses acontecimentos, modos de redesenhar o ritual religioso strictu sensu no sentido de fazê-lo circular à deriva dessas intervenções midiáticas mais contemporâneas. Mas para identificá-los seriam necessários muitos processos observacionais para capturar os “n” Círios que se realizam concomitantemente àquela grande procissão, inclusive no interior dela. Há muitas manifestações que apontam para outros processos de produção de sentido enquanto marcas de fraturas. Recordo-me no Círio de 2013 duas manifestações: 1) a tradicional de rua, já incorporada às redes sociais, e (2) a ela se agregavam dispositivos de captação da procissão que já não se restringiam mais apenas naquele sistema de rádios, tvs etc e que se notabilizavam pela presença das celebridades que faziam surgir um co-acontecimento. Havia um acontecimento que seguia um ritual oficial e microacontecimentos que se desencadeavam a medida que a procissão passava por esses ambientes, onde ocorriam esses enlaces momentâneos. Ou seja, nichos de produção periféricos capturavam-na segundo suas lógicas específicas. Isso reflete um nível de intervenção de um dispositivo em produção paralelo ou consentâneo se apropriando da procissão em si. Exemplificando: a procissão se faz por um percurso que vai do cais até a catedral. Por aí passam 2 milhões de fiéis. Ao longo desse trajeto instalam-se gabinetes em apartamentos e portarias ocupados pelas celebridades. E as pessoas param ali, reverenciam esses personagens, toca-se música, dá-se uma bênção. Isso gera a irritação do bispo que esperava a procissão chegar enquanto o padre Fábio de Melo, como eu já mencionei, dava outra bênção e tirava uma selfie. Essas intervenções são espécies de “fraturas em produção” porque são feitas por personalidades/ operadores que fazem o ritual circular em outro destino interpretativo, mas que estão incorporados de alguma forma à produção oficial do acontecimento. Por isso digo que é uma “fratura em produção”. Observei também outra fratura distinta da anterior. No centro da procissão há uma corda (o cisal) que 30 mil promisseiros seguram e protegem durante o trajeto e que seria dividida entre eles na igreja, segundo acordo feito previamente com as instâncias oficiais. Desta vez eles se antecipam, cortam a corda e se apropriam de seus pedaços transformando-os em relíquias. Isso do ponto de vista da antropologia simbólica é uma espécie de ruptura com o ritual sobre o qual funciona esta manifestação do ponto de vista da sua lógica de produção e ao mesmo tempo um “redesenho” do seu processo de significação. É preciso que haja uma ruptura para que ele seja ressimbolizado. Os indivíduos redesenham esta organização dando a ela outra significação segundo um ato que passa por eles mesmos, por uma ação técnico-simbólica dos atores sociais.

MRS: um ato que acontecia à revelia das prescrições institucionais...

Fausto: sim! A previsão era de que este corte aconteceria apenas no final quando a procissão chegasse até o bispo, e a corda, então, consagrada pelo seu ritual de origem, fosse dividida entre os fiéis. Esta antecipação por parte dos promisseiros foi muito mal vista, muito mal compreendida. Ela foi lida como um desrespeito, como uma afronta porque a lógica procissão foi traçada por um postulado de racionalidade definido pelos campos sociais que ofertavam que este acontecimento. Então, nesta atitude os atores sociais rompem com o ritual e dão outra significação. Isso está detalhado no texto “Círio de Nazaré: celebrações, divergências e rupturas” (FAUSTO NETO, 2013).

* Para ler a primeira parte da entrevista clique <<<aqui>>>.

Textos Citados nas partes 1 e 2 da entrevista

ASSMANN, Hugo. A Igreja Eletrônica e seu impacto na América Latina. Petrópolis (RJ): Vozes, 1986.

ECO, Umberto. Viagem na Irrealidade Cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

DAYAN, Daniel & KATZ, Elihu. A história em directo. Os acontecimentos mediáticos na televisão. Coimbra: Minerva, 1999.

DAYAN, Daniel e KATZ, Elihu. Media events: the live broadcasting of history. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1992.

FAUSTO NETO, Antônio. Religião do contato: estratégias dos novos "templos midiáticos". In: Emquestão –Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Porto Alegre, RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Vol. 2, n 1(jan./jun 2003), p. 163-182.

_____, Antônio. Fragmentos de uma analítica da midiatização. In: Revista Matrizes, nº  2, Abril, 2008 –pp 89-105

_____, Antonio. Círio de Nazaré: celebrações, divergências e rupturas. In: Netília Silva dos Anjos Seixas; Alda Cristina Costa; Luciana Miranda Costa. (Org.). Comunicação: visualidades e diversidades na Amazônia. 1ed.Belém: FADESP, 2013, v. 1, p. 27-50.

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. 18º ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

HARTMANN, Attilio Ignacio. Religiosidade e mídia eletrônica: a mediação sócio-cultural-religiosa e a produção de sentido na recepção de tv. São Paulo, 2000. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA-USP.

Sobre o autor 
Antônio Fausto Neto é pós-doutor em Comunicação pela UFRJ, doutor em Comunicação pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) da França, mestre em Comunicação pela Universidade Nacional de Brasília (UNB) e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente é professor titular do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Interessa-se por temas relacionados a Jornalismo, Discurso, Noticiabilidade, Estratégias Midiáticas e Midiatização, tendo também já estudado objetos que envolvem religião, discurso e mídia, especialmente no âmbito televisivo.

Conheça textos do professor já divulgados pelo Mídia, Religião e Sociedade clicando <<<aqui>>>.